Atriz Roberta Rodrigues revela vitória em processo contra a Globo
A atriz Roberta Rodrigues compartilhou detalhes sobre o processo judicial que moveu contra a TV Globo
Em um caso que chamou a atenção do público e da mídia, a atriz Roberta Rodrigues compartilhou detalhes sobre o processo judicial que moveu contra a TV Globo. A ação, que resultou em uma condenação de R$ 500 mil à emissora, teve como foco práticas discriminatórias e racismo nos bastidores da novela “Nos Tempos do Imperador“. O episódio ocorreu há quatro anos e teria envolvido o diretor artístico Vinícius Coimbra, que não foi parte do processo.
Rodrigues revelou em entrevista ao Portal LeoDias que o ambiente de trabalho foi determinante para o diagnóstico de um distúrbio emocional, levando-a a se afastar de suas atividades por cerca de três meses. A atriz destacou que, junto com outros atores negros, enfrentou tratamento desigual em comparação aos colegas brancos da produção, o que motivou a ação judicial.
Quais foram as alegações de Roberta Rodrigues?
Segundo a atriz, o tratamento discriminatório nos bastidores da novela foi evidente. Ela relatou que os atores negros, incluindo ela mesma, não recebiam o mesmo nível de respeito e privilégios que os atores brancos. Essa situação gerou um ambiente de trabalho hostil e prejudicial à saúde mental dos envolvidos.
Roberta Rodrigues e a atriz Dani Ornellas decidiram entrar com o processo, enquanto outros cinco atores optaram por não seguir o mesmo caminho. A vitória no tribunal, que ocorreu três anos após o início do processo, foi um marco importante na luta contra o racismo e o assédio moral no ambiente de trabalho.
Como a TV Globo respondeu às acusações?
Em sua defesa, a TV Globo negou as acusações de discriminação racial. A emissora afirmou que não houve práticas racistas no ambiente de trabalho e que as alegações não correspondiam à realidade dos bastidores da novela. No entanto, a decisão judicial favoreceu a atriz, reconhecendo a existência de assédio moral e racismo.
O que diz Vinícius Coimbra
A assessoria de Vinícius Coimbra destacou que o diretor “não foi parte do processo judicial movido por Roberta Rodrigues contra a TV Globo”. E acrescentou:
“Não há qualquer ação judicial, denúncia formal ou registro no compliance da emissora direcionado a ele ao longo de seus 23 anos de carreira na empresa.A sentença judicial em questão teve como parte apenas a emissora, e não responsabiliza formalmente o diretor.”
O diretor enviou uma carta a O Antagonista, que é reproduzida na íntegra abaixo:
“Agradeço a oportunidade de me manifestar oferecida por esta coluna. Alguns pontos a elucidar:
1- Nunca falei e ninguém do elenco me acusou de falar: “O elenco vem comigo, os pretos ficam.” Ou pior “Vocês deveriam agradecer por estarem aqui.” Não há testemunhas que comprovem estas falas simplesmente porque elas não aconteceram. Que sejam ouvidas as pessoas que trabalharam comigo em toda a minha carreira na Globo. Sempre tratei com respeito técnicos e artistas, e para isto não faltam testemunhas. Inclusive, em 23 anos de empresa, não havia nenhuma queixa contra mim no departamento de Compliance.
2 – O processo citado foi movido contra a Globo, não contra mim. Eu sequer fui chamado para testemunhar, por nenhuma das partes e nem pelo juízo. Se eu fosse parte central da denúncia, não deveria ter sido chamado?
3- Repito o que afirmei em outras entrevistas: o que fiz quando a crise se instaurou na novela foi me reunir com vários integrantes do elenco para tentar contribuir com a solução dos problemas, inclusive com as atrizes e atores negros, que eram os mais atingidos. Nesta reunião com os artistas negros, ouvi por mais de duas horas suas demandas, que por sinal não se dirigiam à equipe de direção artística da novela, mas sim a processos de produção que estavam fora da minha alçada: separação de camarins, questões salariais, calendário de gravações… A reunião foi gravada e prova tudo que falo. Eu, pessoalmente, achei justas as demandas mas estava fora das minhas atribuições atendê-las. Não se referiam ao meu departamento, a Direção Artística. O que prometi e cumpri após a reunião foi levar estas reivindicações à direção da Globo e aos departamentos responsáveis pela solução dos problemas. Eu fiz o que estava ao meu alcance para sanar os desconfortos e conversar com o elenco fazia parte da minha função. O que pudemos fazer, além disso: revisamos todos os textos, reeditamos e regravamos cenas para que a novela atendesse às justas reinvindicações dos movimentos contra o racismo.
A defesa dos Direitos Humanos sempre pautou a minha vida e o meu trabalho. Basta uma simples pesquisa a meu respeito, junto às pessoas com quem trabalhei, que esta verdade aparecerá.
Fico à disposição para falar sobre os fatos ocorridos com quaisquer pessoas que se interessem em elucidá-los.”
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