EUA: Governo reforça acusações contra deportado por vínculo com MS-13
Polícia cita elo com facção durante investigação de homicídio; registros judiciais apontam histórico de violência doméstica
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos divulgou novos documentos que reforçam as acusações de que Kilmar Abrego Garcia, salvadorenho deportado em março, integra a organização criminosa MS-13.
A ofensiva do governo Trump ocorre enquanto a Suprema Corte mantém a ordem de que a deportação, considerada indevida, seja revertida.
Entre as provas apresentadas estão registros da polícia do condado de Prince George’s, em Maryland, que identificam Garcia como integrante da célula “Westerns” da gangue.
Segundo a ficha de entrevista feita pela Unidade de Inteligência sobre MS-13 da polícia local, Garcia foi abordado em 2019 durante uma investigação de homicídio. Ele foi encontrado em um estacionamento da Home Depot, acompanhado de outros membros conhecidos da organização, portando drogas ilícitas e dinheiro em espécie.
Os agentes relataram que Garcia usava um boné do Chicago Bulls e um moletom com imagens de cédulas cobrindo olhos, ouvidos e boca de figuras presidenciais, interpretação comum a símbolos da cultura de gangues hispânicas.
Na ocasião, uma fonte considerada “confiável e testada” confirmou que ele era conhecido como “Chele” e detinha o posto de “Chequeo”, função atribuída a membros em ascensão na hierarquia da MS-13.
Além das conexões com o crime organizado, o governo apresentou documentos judiciais que detalham um histórico de violência doméstica.
Em 2021, sua esposa, Jennifer Vasquez, solicitou uma ordem contra ele, relatando múltiplas agressões físicas.
Em manuscrito entregue à Justiça, ela relatou ter sido atingida no rosto com uma bota de trabalho e agredida com socos e arranhões, tendo inclusive registrado fotos e vídeos das lesões. Ela também descreveu episódios em que teve roupas rasgadas e foi empurrada durante discussões.
O Departamento de Segurança Interna afirma que os registros desmontam a narrativa de que Garcia seria apenas um “pai de família de Maryland” deportado por engano.
Segundo autoridades federais, ele confessou ter entrado ilegalmente nos EUA pelo deserto próximo a McAllen, Texas, em 2012, e foi considerado inelegível para permanecer no país desde 2019.
A defesa de Garcia nega envolvimento com a MS-13 e alega que a deportação ocorreu em descumprimento de uma decisão judicial que o protegia por risco de perseguição.
A Suprema Corte determinou que o governo “facilite” seu retorno, mas não exigiu a repatriação imediata, o que vem sendo interpretado pela Casa Branca como margem para manter o migrante fora do país.
A administração Trump argumenta que o retorno depende exclusivamente das autoridades de El Salvador, que por sua vez se recusam a devolvê-lo.
Garcia permanece detido no presídio de segurança máxima CECOT, em Tecoluca.
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Comentários (1)
Fabio B
17.04.2025 12:07Esse caso é uma insanidade, mas ao menos renderam boas risadas.