Bill Maher foi à Casa Branca. Virou humorista chapa-branca?
Bill Maher é um dos maiores críticos de Trump. Resta saber se, depois da visita, continuará sendo.
Bill Maher, humorista, apresentador e comentarista político americano, foi mesmo à Casa Branca. Até aí, tudo bem. Comediantes têm suas preferências.
Ocorre que Maher é um dos mais fiéis críticos de Donald Trump – de seu modo de governar, seus valores, seus cabelos, suas opiniões, seus decretos, seu bronzeado. Trump, por sua vez, sempre retrucou com ofensas e processos.
O encontro foi arranjado por um amigo de ambos, o músico Kid Rock (Robert J. Ritchie), admirador do presidente.
A intenção declarada? Mostrar ao público que, apesar de tudo, ainda é possível sentar à mesa e conversar civilizadamente com quem pensa diferente de nós. A intenção não declarada? Sabe-se lá.
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Dias antes, Trump tinha expressado ceticismo sobre a conveniência de se fazer a reunião. Mas topou. Para o republicano, de um jeito ou de outro, Maher falaria mal dele:“Não importa! Estou fazendo um favor a um amigo. Estou ansioso para encontrar Bill Maher, Kid Rock e, quem sabe, talvez até mesmo Dana White esteja presente. Pode ser divertido, pode não ser divertido, mas vocês serão os primeiros a saber!”
O jantar aconteceu há duas semanas e, desde então, Bill Maher vinha fazendo suspense. Até que abriu o jogo em seu programa Real Time with Bill Maher. Para surpresa da audiência, predominantemente de esquerda, Maher gostou.
Diz ter encontrado um homem privado diferente do homem público. Fez piadas, provocações, ironias: Trump não reagiu. Riu, concordou, admitiu. Discutiram sem animosidade. Despediram-se sem ilusões.
Maher conta que, horas depois do jantar, quando já estava em casa, ligou a tevê e viu aquele homem razoável com o dedo em riste, o tom insultuoso, as ameaças repetidas. “Onde foi parar aquele outro?”, pensou Maher.
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Reposicionamento de marca? Conversão ao MAGA? Ele garante que não. Mas quando um comediante se entende muito bem com um político é porque o político entende muito bem o comediante.
Antecipando críticas de seus colegas e de sua audiência, ironizou: “Nós conversamos. Só isso. Gostem ou não [os progressistas], estou contando o que aconteceu. E eu não estava chapado. Que pena”.
Resta saber quem atuou melhor ou quem enganou quem. Sobre os próximos episódios da gestão Trump nós já temos spoilers. Já o que será do satírico Real Time, só o tempo – e as piadas – vão dizer.
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