Amazon lança Alexa+ para ganhar espaço no “capitalismo de plataforma”
Para alimentar a IA da Amazon, tudo o que você diz para Alexa será salvo na nuvem
Desde o dia 28 de março deste ano, a Amazon desabilitou dois recursos de privacidade dos dispositivos Alexa, apesar de críticas de especialistas, preocupados com questões de privacidade.
Por padrão, todos os dispositivos Alexa já enviavam as gravações para a nuvem para processamento, mas alguns modelos do dispositivo Echo tinham a opção de “Não salvar minhas gravações.” Essa opção não está mais disponível, e a Amazon explica que a mudança visa oferecer novas “funcionalidades agentivas” alimentadas por inteligência artificial.
Como funcionam os assistentes de voz?
Sempre que ouve uma “palavra de ativação”, como “Alexa”, o assistente de voz é ativado, grava o comando que é falado e o associa a uma ação, como reproduzir uma faixa de música. Associar um comando falado a uma ação requer aquilo que os cientistas da computação chamam de compreensão de linguagem natural, o que pode exigir muito poder computacional (mais disponível na nuvem, embora o processamento no dispositivo tenha melhorado muito nos últimos anos).
“Alexa, pare de dar prejuízo”
Em seu livro “The Voice Catchers”, o especialista em assistentes de voz dos EUA, Joseph Turow explica que a Amazon começou a vender dispositivos Echo muito baratos, numa estratégia de “loss leader”, ou líder de prejuízo. Ele diz que embora tenha vendido mais de 500 milhões de dispositivos Alexa, a empresa perdeu mais de US$ 25 bilhões no projeto, somente entre 2017 e 2021.
Agora, a Amazon quer usar IA generativa para dar a volta por cima, com um investimento de US$ 8 bilhões no concorrente da OpenAl, a Anthropic.
Em fevereiro deste ano, a Amazon lançou nos Estados Unidos um novo sistema alimentado por IA, o Alexa+, que promete uma interação mais natural e a capacidade de realizar tarefas, como reservar voos.
E como o Alexa+ ajudará a Amazon a recuperar o prejuízo?
Os provedores de serviços – como companhias aéreas, empresas de reservas de restaurantes e ingressos, como a Ticketmaster – pagariam à Amazon sempre que o Alexa+ direcionasse os clientes.
A pesquisadora Kathy Reid, pós-doutoranda da Escola de Cibernética da Universidade Nacional da Austrália, aponta que esse movimento da Amazon faz parte de um fenômeno mais amplo denominado “capitalismo de plataforma”, que inclui empresas de “economia compartilhada”, como o AirBnb e Uber: “Embora o capitalismo de plataforma tenha trazido benefícios para os consumidores, os maiores beneficiados, de maneira geral, são os donos das plataformas e aqueles que controlam sua infraestrutura, serviços e restrições.”
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