Equador decreta estado de emergência em véspera de eleição
Governo de Daniel Noboa alega que grupos criminosos armados superaram a capacidade de resposta das forças de segurança do país
O governo do Equador decretou neste sábado, 12, estado de emergência em sete das 24 províncias do país, além da capital Quito e do sistema penitenciário nacional.
A decisão ocorre a poucas horas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, 13, e tenta conter a escalada da violência atribuída a grupos ligados ao narcotráfico.
O decreto, assinado pelo presidente Daniel Noboa, estará em vigor por 60 dias e autoriza a atuação das Forças Armadas nas ruas, impõe toque de recolher noturno e restringe direitos civis.
A medida afeta as províncias costeiras de Guayas, Los Ríos, Manabí, Santa Elena e El Oro; as amazônicas Orellana e Sucumbíos; a cidade mineira de Camilo Ponce Enríquez; além de Quito e todas as prisões do país.
Entre os direitos suspensos estão a inviolabilidade do domicílio, da correspondência e a liberdade de reunião. A circulação de pessoas será restringida entre 22h e 5h (meia-noite às 7h em Brasília) em diversas regiões.
O governo alega que os grupos criminosos armados superaram a capacidade de resposta das forças de segurança, o que justificaria a adoção das medidas excepcionais.
Eleições polarizadas
A decisão ocorre em meio a uma das eleições mais polarizadas da história recente do país. Noboa, que busca a reeleição após assumir a presidência em novembro de 2023, enfrenta no segundo turno a candidata de esquerda Luisa González, do movimento Revolução Cidadã.
Aliados da opositora criticaram o decreto, sugerindo que o presidente pode estar tentando limitar a mobilização política e questionaram a possibilidade de uma contestação dos resultados em caso de derrota.
O Equador atravessa uma crise de segurança sem precedentes. A taxa de homicídios saltou de 6 por 100 mil habitantes em 2018 para 47 em 2023 — a mais alta da América Latina, segundo a organização Insight Crime. Nos dois primeiros meses de 2025, foram registrados mais de 1.500 assassinatos. Segundo o decreto, apenas entre 7 de março e 8 de abril, 120 pessoas foram mortas no país.
Na sexta-feira, 11, o governo já havia restringido o acesso de estrangeiros pelas fronteiras com a Colômbia e o Peru, os dois maiores produtores de cocaína do mundo, como parte das ações para garantir a segurança do pleito.
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