Josias Teófilo na Crusoé: Semiótica alexandrina
Na foto para a revista New Yorker, o ministro do STF parece embriagado com o poder excessivo que lhe foi dado nos últimos anos
Dia sete de abril foi publicada na famosa revista americana New Yorker um perfil do ministro Alexandre de Moraes.
As falas do ministro à revista repercutiram na imprensa brasileira, mas o que mais repercutiu nas redes sociais foram as fotos originais do ministro feitas pelo fotógrafo Fábio Setti.
Especialmente uma. Sob um fundo vermelho vivo, Alexandre de Moraes faz um movimento com a toga esvoaçante, está com os olhos fechados e a boca levemente aberta.
Parece embriagado com o poder excessivo que lhe foi dado nos últimos anos.
A foto foi rapidamente compartilhada e logo virou meme: colocaram-no como Darth Veder, com sutiã por dentro da toga, no quarto vermelho da série Twin Peaks de David Lynch, como Nosferatu, e por aí vai.
As fotos em branco e preto do ministro são igualmente sinistras e altamente contrastadas.
Na quarta de manhã, o fotógrafo apagou o ensaio do seu Instagram pessoal e no site da revista só uma foto permaneceu, um retrato de corpo inteiro convencional.
Terá sido um pedido do ministro que levou a revista e o fotógrafo a apagar as fotos?
Estranhamente, o ensaio captou bem a persona pública do ministro — sua imagem autoritária e centrada em si mesma.
Fotografias têm grande poder de mobilizar a opinião pública. Uma foto pode moldar a opinião da população sobre uma guerra, por exemplo.
A foto da menina vietnamita, nua, correndo das explosões e com a pele queimada pelo napalm virou símbolo contra a Guerra do Vietnã. A foto foi feita pelo fotógrafo Nick Ut, de 21 anos, em 1972, e rodou o mundo inteiro.
O contrário também já aconteceu: uma foto ajudou os esforços dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.
Trata-se da foto feita por Joe Rosenthal de seis fuzileiros navais americanos hasteando a bandeira americana na Ilha de Iwo Jima, no Japão.
A foto virou uma grande estátua numa praça em Washington, DC, e a história da sua realização virou um excelente filme de Clint Eastwood, onde é contado o percurso de cada um dos fuzileiros e do fotógrafo.
Fotografias emblemáticas são também usadas para promover candidatos. A campanha de Lula usou e abusou da foto de Ricardo Stuckert em que o nove dedos aparece com uma criança negra em meio à multidão.
A foto de Bolsonaro sozinho na câmara feita por Dida Sampaio e publicada na Veja também foi usada exaustivamente em rede social e na campanha dele à Presidência para mostrá-lo como um outsider.
Por fim, a foto de Trump logo após o tiro que quase o acertou, em que ele coloca o punho para o alto e diz “fight, fight, fight”, feita pelo fotógrafo Evan Vucci, também foi decisiva em sua campanha vitoriosa à presidência dos Estados Unidos.
A foto de Alexandre de Moraes ter sido retirada do ar é muito significativo.
Mostra como a repercussão negativa afetou o ministro num momento decisivo de polarização, em que suas ações são questionadas nacional e internacionalmente.
Além disso, chama atenção como o fotojornalismo tornou-se editorializado.
O fotojornalismo costumava ser mais sério do que a fotografia de moda, mas isso acabou. Um dos responsáveis por isso é um fotógrafo de Brasília chamado Diego Bressane.
Ele fez fotos de Jair e Eduardo Bolsonaro para a Piauí com “pegadinhas”. No caso de Eduardo, deu a ele uma pilha de livros, em que no meio estava o livro de Olavo, cuja palavra “idiota” tem destaque.
Com Jair, ele colocou uma luz de baixo para cima, de modo que a sombra da sobrancelha do ex-presidente ficou parecendo um chifre.
Não entendo qual o valor desse tipo de…
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