Depois de ‘Ainda Estou Aqui’, Walter Salles contará a história do jogador Sócrates
Diretor de 'Ainda Estou Aqui' está produzindo uma série documental sobre o ex-jogador corintiano
Walter Salles, diretor do premiado ‘Ainda Estou Aqui’, vencedor do Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro, revelou em um evento em Doha, no Catar, que já está trabalhando em seu próximo projeto: uma série documental sobre a vida, a carreira e o ativismo de Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira – ou, simplesmente, “Dr. Sócrates”.
Durante o Doha Qumra Workshop, Salles conversou com o público sobre a repercussão de ‘Ainda Estou Aqui’ no Brasil e fora dele, a importância de refletir a respeito de um período histórico sombrio, e a percepção do cinema como “uma extraordinária ferramenta de resistência”, ao proporcionar “o acesso a uma parte da história que, de alguma maneira, ainda estava escondida”.
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Próximos projetos
Questionado sobre o que viria a seguir, Walter Salles contou aos jornalistas que está produzindo uma séria documental em cinco episódios, que retrata a trajetória de Sócrates – sua carreira como um dos maiores jogadores do clube paulista e da Seleção brasileira e, sobretudo, seu interesse pelo ativismo político e seus posicionamentos ideológicos.
Previsto para ser finalizado até o fim deste ano, Salles destaca que Sócrates, nascido no Pará, vencedor em São Paulo e respeitado por todo o país, que deu à sua vida dentro e fora dos campos o mesmo sentido político, representa bem a ideia de “migração interna” no país.
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Quem foi o “Dr.” Sócrates?
O meio-campista Sócrates, falecido em 2011, aos 57 anos, é um dos grandes ídolos do Corinthians dentro de campo, e uma personalidade controversa fora dele.
De estilo elegante e visão abrangente, fez dos passes de calcanhar o principal recurso de seu jogo. Defendeu a Seleção brasileira entre os anos de 1979 e 1986, e foi capitão de um dos maiores times – em um dos mais frustrantes episódios – do futebol nacional, na Copa da Espanha, em 1982.
Ainda nos anos 80, liderou, junto com Casagrande, o movimento chamado de “Democracia Corintiana”, que reivindicava mais liberdade e influência dos jogadores nas decisões administrativas do clube. Participou ainda da campanha pelas Diretas Já.
Formado em Medicina, escrevia artigos e tinha interesse também em música e artes plásticas. Politicamente de esquerda, admirador do ditador cubano Fidel Castro, declarou que gostaria de trabalhar com o então presidente – retifique-se: ditador – venezuelano Hugo Chávez.
Depois de uma primeira internação setembro de 2011, morreria meses depois, em São Paulo, em decorrência de uma infecção intestinal.
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