Ex-árbitro é alvo de investigação contra manipulação de resultados
Uma operação policial de grande escala foi deflagrada para combater um esquema de manipulação de resultados em partidas de futebol brasileiro.
A Polícia Civil de Goiás deflagrou uma operação de grande escala, intitulada Jogada Marcada, com o objetivo de combater um esquema de manipulação de resultados em partidas de futebol. A ação, que ocorreu em seis estados brasileiros, resultou na emissão de 16 ordens judiciais, incluindo sete de prisão temporária e nove de busca e apreensão. O foco das investigações é uma organização criminosa composta por financiadores, intermediários e executores, entre os quais estão jogadores, treinadores e dirigentes de clubes.
O esquema envolvia o uso de plataformas de apostas para movimentar valores ilícitos, estimados em pelo menos R$ 11 milhões. As práticas fraudulentas identificadas pela Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) abrangiam principalmente jogos da Série D do Campeonato Brasileiro, mas há indícios de que outras divisões e competições também possam ter sido afetadas.
Quem são os envolvidos na operação?
Entre os detidos na operação está D’Guerro Batista Xavier, um ex-árbitro paraibano. Apesar de estar afastado de suas funções desde 2018, ele ainda mantinha vínculos com o esporte de forma amadora. Além dele, um presidente de clube, dois ex-jogadores e dois aliciadores foram presos. As identidades dos suspeitos não foram reveladas pelas autoridades.
A investigação teve início a partir de denúncias feitas por Marco Antônio Maia, presidente do Goianésia, que foi abordado por membros do grupo com uma proposta de R$ 500 mil para influenciar o resultado de partidas. Maia recusou a oferta e, com autorização judicial, passou a atuar como agente infiltrado, ajudando a desmantelar o esquema.
Como o esquema de manipulação foi descoberto?
Marco Antônio Maia, ao recusar a proposta de manipulação, decidiu colaborar com a justiça. Ele relatou que foi procurado mais de uma vez, inclusive durante o Campeonato Goiano de 2022 e novamente em 2023. Os aliciadores ofereceram porcentagens sobre valores ilícitos em troca da participação do clube em manipulações, além de tentarem cooptar outras equipes.
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) está acompanhando de perto os desdobramentos do caso e já sinalizou que poderá aplicar punições severas aos envolvidos, incluindo suspensões e até banimentos do meio esportivo.
Quais são os próximos passos da investigação?
A Polícia Civil ainda não divulgou quais partidas foram alvo de manipulação, mas novas informações devem ser apresentadas em uma coletiva agendada para breve. A expectativa é de que mais nomes venham a público e que a dimensão total do esquema seja esclarecida. As investigações continuam em curso, e não se descarta o envolvimento de agentes em novas regiões do país.
Essa operação destaca a complexidade e o alcance das fraudes no futebol nacional, evidenciando a necessidade de medidas rigorosas para preservar a integridade do esporte.
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