“A gente começou a Gabriel tentando fazer uma espécie de ‘Uber de segurança’. Acho que foi das piores ideias que a gente já teve até hoje”, diz Otavio Miranda, cofundador de uma inovadora empresa de segurança pública, em entrevista ao Podcast oa!.
“A ideia era que, dentro de um aplicativo, você poderia registrar quando iria querer ser acompanhado por alguém. Esse alguém iria até você, te acompanhar do ponto A ou ponto B. Se você quisesse caminhar a pé pelo bairro, para voltar do mercado para casa com as suas compras na mão, e quisesse ter certeza de que ninguém vai arrancar o seu cordão no meio do caminho… Isso foi uma ideia bem ruim”, conta Miranda, que não faz mais parte da empresa e desenvolve outros projetos atualmente.
A ideia original, que foi colocada em operação, não funcionou, mas permitiu a Miranda e seus dois sócios entender melhor o problema que queriam resolver.
“Resolvemos apostar naquela única coisa que não era dependente de uma pessoa estar na rua se movendo ou não, que eram as câmeras. Os pares de câmeras apontados para a rua ajudavam as pessoas a lidarem com uma espécie de neurose coletiva que se criou naquela época”, diz o empreendedor, referindo-se à época da pandemia de covid.
Rede de câmeras
A Gabriel foi fundada em 2019 e começou a funcionar em 2020.
“A gente foi atrás então de alguns potenciais primeiros clientes, que gostariam que alguém monitorasse proativamente o que acontece na porta. Em um intervalo curto de tempo, instalamos as primeiras poucas câmeras da Gabriel no Leblon, e pegamos um caso muito icônico do Rio, em que um cara cruzou a [rua] Dias Ferreira de um lado até o outro num carro conversível com duas mulheres atrás’ de biquíni”, conta Miranda.
“Foi a primeira vez que a gente conseguiu provar na Gabriel que a rede funcionava, porque não apenas o lugar onde o problema aconteceu tinha câmeras da Gabriel, mas também tinha câmeras antes, tinha câmeras depois, tinha câmeras na quadra ao lado, câmeras duas quadras para trás”, diz o empreendedor.
China
Hoje, a Gabriel atende a cerca de 4 mil prédios com uma rede de 11 mil câmeras espalhadas por São Paulo e Rio de Janeiro, e “tornou a polícia hiper-eficiente”, nas palavras de Miranda, um filho de militar que também conta na entrevista sobre sua experiência de se formar na China, onde morou por cinco anos e trabalhou em empresas de tecnologia como Kwai e Mobike, durante o boom tecnológico chinês.
“Você andava na rua em Pequim e, de seis meses em seis meses, via uma proliferação de mega carros, de mega prédios, de mega marcas, de pessoas vestindo mega roupas. Era tudo mega. E muito rápido. Existia essa ambição e ganância. E eu, obviamente, fui no mesmo bolo”, conta.
Assista à entrevista: