Há 12 anos, morria Margaret Thatcher
“Dama de Ferro” redefiniu o Reino Unido e divide opiniões
Em 8 de abril de 2013, morria aos 87 anos Margaret Thatcher, a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Reino Unido. Mais de uma década depois de sua morte, seu legado político e seu papel histórico continuam a suscitar debates e a dividir opiniões
Filha de um comerciante e pregador metodista, Thatcher nasceu em 1925, em Grantham, na Inglaterra. Graduou-se em Química pela Universidade de Oxford e estudou Direito. Desde jovem interessada nas discussões sociais e econômicas, ingressou na política pelo Partido Conservador nos anos 1950 e, em 1975, assumiu a liderança da legenda.
Chegou ao cargo de primeira-ministra em 1979, função que ocupou até 1990. Sua gestão foi marcada por liberalismo econômico, redução da participação e da interferência do Estado na vida pública e privada, promoção de privatizações e austeridade fiscal.
Escreveu e publicou dois livros de memórias: The Downing Street Years (1993) e The Path to Power (1995).
Aposentou-se de qualquer atividade política em 2002, por recomendação médica, em virtude de problemas de saúde. Ainda assim, mesmo debilitada, fez questão de comparecer ao funeral do ex-presidente americano Ronald Reagan, morto em 2004.
A “Dama de Ferro” e seus críticos
Na política interna, os ajustes fiscais, a desregulamentação dos mercados, o incentivo à iniciativa individual e a diminuição do papel perdulário do Estado foram medidas capazes de conter a inflação, revitalizar setores produtivos e recuperar a economia britânica. Mas a doutrina que ficou posteriormente conhecida como “thatcherismo” é apontada como responsável também pela precarização do trabalho, desmonte de sindicatos e aprofundamento das desigualdades sociais.
Na política externa, ganhou respeito pela vitória na Guerra das Malvinas contra a Argentina, em 1982, e por sua aliança com Ronald Reagan na Guerra Fria. O apelido “Dama de Ferro” foi dado por um jornal soviético em resposta a um discurso da ministra em 1976, em que ela acusava a União Soviética de pretender um “domínio mundial”.
A filosofia política de Margaret Thatcher
Leitora de autores como o economista americano Milton Friedman, autor de Capitalismo e Liberdade (1962), e do filósofo e economista austríaco Friedrich von Hayek, que escreveu O Caminho da Servidão (1944), Thatcher resumiu as linhas gerais de sua visão de mundo em uma entrevista para a Woman’s Own, em 1987:
“Eu acho que passamos por um período em que muitas crianças e pessoas foram treinadas para acreditar: ‘Eu tenho um problema, e é papel do governo lidar com isso!’ ou ‘Tenho um problema, preciso de um benefício para lidar com isso!’ ‘Eu sou sem-teto, o governo deve me abrigar!’. E assim, lançam seus problemas na sociedade. Quem é a sociedade? Não existe ‘a sociedade’! Existem homens e mulheres individuais, existem famílias, e nenhum governo pode fazer nada a não ser por meio de pessoas (…). É nosso dever cuidar de nós mesmos, e também ajudar a cuidar do nosso próximo. A vida é um negócio recíproco, e as pessoas têm em mente muito mais os direitos demais que as obrigações.”
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