Ray Dalio alerta para colapso sistêmico nos EUA

26.09.2026

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Ray Dalio alerta para colapso sistêmico nos EUA
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Alexandre Borges
6 minutos de leitura 08.04.2025 05:58 comentários
Economia

Ray Dalio alerta para colapso sistêmico nos EUA

Bilionário vê crise da dívida, polarização política e ruptura da ordem global como ameaças à estabilidade americana

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Alexandre Borges
6 minutos de leitura 08.04.2025 05:58 comentários 2
Ray Dalio alerta para colapso sistêmico nos EUA
Foto: Reprodução

O investidor Ray Dalio, fundador do fundo Bridgewater Associates, afirmou que os Estados Unidos estão diante de um colapso sistêmico da ordem monetária, política e geopolítica.

Dalio, que escreveu uma análise intitulada “Não cometa o erro de pensar que o que está acontecendo agora é principalmente sobre tarifas”, comparou o momento atual a outros períodos históricos de transição profunda, em que desequilíbrios estruturais levaram à falência de modelos econômicos e ao surgimento de novos regimes.

“Neste momento, uma enorme quantidade de atenção está sendo justificadamente dada às tarifas anunciadas e seus grandes impactos nos mercados e economias, enquanto muito pouca atenção está sendo dada às circunstâncias que as causaram e às maiores perturbações que provavelmente ainda estão por vir”, diz o texto de Dalio, fazendo menção ao tarifaço de Donald Trump.

“Não me entenda mal, embora esses anúncios de tarifas sejam desenvolvimentos muito importantes e todos nós saibamos que o presidente Trump os causou, a maioria das pessoas está perdendo de vista as circunstâncias subjacentes que o levaram a ser eleito presidente e trouxeram essas tarifas. Eles também estão ignorando principalmente as forças muito mais importantes que estão impulsionando quase tudo, incluindo as tarifas”, segue.

Segundo Dalio, a economia americana está sustentada por um nível insustentável de dívida. Ele argumenta que os Estados Unidos mantêm déficits fiscais elevados – ou seja, gastam muito mais do que arrecadam – e dependem de empréstimos constantes para financiar o próprio funcionamento.

Leia também: O boato sobre o ‘tarifaço’ que iludiu o mercado

Ao mesmo tempo, a dívida acumulada é considerada tão alta que ameaça a confiança de investidores e credores no longo prazo. Para o investidor, esse ciclo vicioso entre dívida e gasto pode levar a um colapso financeiro em até três anos, que ele compara a um “ataque cardíaco”.

EUA x China

Dalio explica que há um descompasso entre países que tomam dinheiro emprestado (como os EUA) e países que financiam essa dívida (como a China).

Esse desequilíbrio acontece, por exemplo, quando os Estados Unidos compram produtos chineses, gerando superávit para a China, que por sua vez investe esse dinheiro em títulos do Tesouro americano. Com a crescente desconfiança entre os países e a tendência à “desglobalização“, esse modelo está deixando de funcionar.

No campo político, Dalio aponta a intensificação da polarização nos EUA como um dos fatores mais graves da crise.

Leia também: O “inverno nuclear econômico” iniciado por Trump

Ele menciona o crescimento das disputas ideológicas entre populistas de direita e de esquerda e a dificuldade crescente de cooperação entre os Poderes.

Fragmentação interna

Para ele, essa fragmentação interna compromete o funcionamento da democracia, que depende de concessões e respeito às regras institucionais. Em momentos históricos semelhantes, observa o bilionário, o esfacelamento da ordem democrática deu lugar a regimes autoritários.

No plano internacional, Dalio afirma que a ordem global comandada pelos Estados Unidos está em declínio.

Ele vê um mundo cada vez mais dividido, onde o poder é disputado de forma direta entre grandes potências, sem o peso anterior das instituições multilaterais. A imposição de tarifas, por exemplo, seria um reflexo dessa nova era, em que a autossuficiência e a disputa estratégica entre nações substituem o comércio global baseado em confiança e interdependência.

Dalio também cita as transformações provocadas pela inteligência artificial e os impactos de fenômenos naturais – como pandemias, secas e enchentes – como fatores que agravam a instabilidade econômica e política.

Ciclo histórico

Em sua visão, essas forças estão interligadas e operam dentro de um ciclo histórico de ascensão e queda de potências, que ele descreve em seus livros como o Grande Ciclo.

O investidor sugere que os formuladores de política nos Estados Unidos devem tomar medidas urgentes para conter o déficit público, estabilizar a dívida e restaurar a confiança nas instituições. Ele defende reformas fiscais, maior responsabilidade orçamentária e abertura ao diálogo como caminhos para evitar um colapso mais profundo.

As declarações de Ray Dalio reforçam a avaliação de que a atual conjuntura global vai além de flutuações econômicas pontuais.

Para ele, trata-se de uma ruptura estrutural com implicações duradouras para a liderança dos EUA, o sistema financeiro internacional e a estabilidade das democracias ocidentais.

Quem é Ray Dalio

Ray Dalio é o fundador da Bridgewater Associates, considerada por anos o maior fundo de hedge do mundo, com mais de US$ 150 bilhões sob gestão em seu auge.

Nascido em Nova York em 1949, Dalio começou a investir aos 12 anos e construiu sua carreira no mercado financeiro a partir de uma abordagem baseada em análise histórica de ciclos econômicos.

A filosofia de gestão da Bridgewater influenciou diversas práticas modernas de macroinvestimento, com foco na identificação de padrões recorrentes na economia global.

Dalio ganhou notoriedade ao prever com antecedência a crise financeira de 2008, o que deu ainda mais projeção à sua tese de que os mercados operam em ciclos longos, impulsionados por fatores como endividamento, produtividade, conflito social e mudanças na ordem mundial.

Essas ideias estão reunidas em seus livros mais conhecidos: Princípios – Vida e Trabalho, publicado em 2017, onde apresenta sua metodologia pessoal e profissional; Princípios para a Ordem Mundial em Transformação, lançado em 2021, no qual descreve a ascensão e queda de impérios ao longo da história; e o recente How Countries Go Broke, que aprofunda a análise dos ciclos de colapso de Estados endividados.

Além da atuação como gestor, Dalio se posiciona cada vez mais como pensador sobre economia, geopolítica e governança.

Suas análises são seguidas por líderes políticos, empresários e investidores ao redor do mundo. Apesar de ter deixado a liderança operacional da Bridgewater em 2022, continua ativo como conselheiro e autor.

Seus alertas sobre riscos sistêmicos e seu ceticismo em relação à estabilidade atual das democracias ocidentais refletem sua visão de longo prazo, moldada por décadas de estudo dos ciclos que, segundo ele, moldam a história do poder global.

Leia mais: “Não seja fraco! Não seja estúpido!”, diz Trump ao pedir paciência

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Alexandre Borges

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Comentários (2)

FREDERICO AUGUSTO DIAS

09.04.2025 11:11

Me parece que quem foi o primeiro a prever a crise do subprime foi Doctor Burry (Michael Burry). Seu fundo - Scion Asset Management - foi o que mais lucrou com áquela crise. Investi no no fundo Lixor Bridgewater - que replica as estratégias de Dalio - em 2019 e, após anos de perdas, acabei zerando minha posição em 2024. Os fundos macro estão sangrando há anos, pelo menos no Brasil.


Marcia Elizabeth Brunetti

09.04.2025 10:11

Escrevem-se tantos livros apontando os erros dos governos, mas nenhum deles parece ser levado à sério pelos governantes. Os livros trazem informações inviáveis ou são os governantes que não querem ouvir?


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