Padre nigeriano relata sequestro brutal e fuga com oração
Isaac Agabi relatou ter sido espancado violentamente pelos sequestradores e levado para uma floresta, onde continuou sendo agredido e ameaçado de morte
O padre Isaac Agabi, da Diocese de Auchi, na Nigéria, revelou detalhes de sua experiência como refém de pastores fulani em 2020, quando foi sequestrado junto com o seminarista Justice Chidi Mbonu, hoje também sacerdote.
O sequestro ocorreu no domingo da Santíssima Trindade, 7 de junho daquele ano, quando a dupla viajava por uma estrada no estado de Edo e foi emboscada por homens armados.
Em entrevista publicada nesta quinta-feira, 4, pela agência ACI Africa, o padre relatou ter sido espancado violentamente pelos sequestradores e levado para uma floresta, onde continuou sendo agredido e ameaçado de morte.
Eles exigiram um resgate de 100 milhões de nairas (cerca de 65 mil dólares) e chegaram a conversar com o bispo Gabriel Ghiakhomo Dunia, que se recusou a pagar, afirmando que a Igreja não tinha recursos.
Durante o cativeiro, Agabi manteve consigo apenas seu rosário. “Sou devoto de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro”, afirmou. “Invoquei sua salvação durante todo o tempo com os sequestradores.”
Em dado momento, dois sequestradores saíram para comprar comida e não voltaram. A confusão entre os demais permitiu que os dois reféns escapassem, correndo por horas na escuridão da floresta até reencontrarem a liberdade em 9 de junho.
O sacerdote relatou que, apesar da fuga, a experiência deixou marcas profundas.
“Se vejo um fulani ou estou em uma estrada deserta, o medo toma conta de mim. Não sou mais o mesmo”, disse. Agabi afirma que nunca recebeu apoio psicológico da Igreja ou do governo desde o episódio. “Ninguém jamais me perguntou como estou lidando com isso.”
Desde então, o padre tem defendido mudanças na formação dos seminaristas e propõe que seminários passem a incluir treinamentos de sobrevivência, defesa pessoal e gerenciamento de crises. Ele também sugere que retiros espirituais sejam usados para capacitar o clero em situações de risco.
“A experiência aumentou minha fé. Não tenho mais medo da morte. Se alguém apontar uma arma para mim agora e disser para eu segui-lo, eu não vou. É melhor morrer do que passar pelo que passei novamente.”
Segundo ele, o sequestro de religiosos na Nigéria se tornou recorrente. “Um padre foi levado dentro de seu próprio apartamento. Isso mostra que não estamos seguros em lugar algum.”
Ao final do relato, Agabi incentivou colegas que enfrentam ameaças semelhantes: “Não desistam. Deus ainda tem um propósito para nossas vidas. Se estamos vivos depois de algo assim, é porque nossa missão ainda não terminou.”.
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Comentários (1)
Rosa
04.04.2025 11:19Pessoa impressionante.