Bate-bocas marcam reunião na Câmara e líder dá bronca: “Nada justificável”
Nelson Barbudo (PL-MT) discutiu com a deputada Erika Kokay (PT-DF) e com servidora da Câmara; Fred Costa criticou as confusões
A sessão desta quarta-feira, 2, da Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados foi marcada por bate-bocas entre os deputados Nelson Barbudo (PL-MT) e Erika Kokay (PT-DF), vice-líder da maioria, e entre o integrante do PL e uma servidora da Casa. As discussões ocorreram depois que o presidente do colegiado, Fred Costa (MG), líder do PRD, deixou a sessão para tratar de outro assunto.
Antes de sair, Fred escolheu Nelson Barbudo para ficar na presidência da comissão na sessão enquanto estivesse fora. Após assumir o posto, o deputado do PL passou a discursar.
Na fala, reforçou que a oposição, da qual faz parte, está em obstrução na Câmara para pressionar pela inclusão na pauta do projeto de lei da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Além disso, negou que houve golpe civil-militar em 1964, defendeu penas menos duras para condenados pelo 8 de janeiro e afirmou que a oposição lutará para que a anistia seja pautada.
“Nós lutaremos para que a anistia seja colocada em pauta. Porque quem assume a verdade coloca em pauta para que nós, os deputados, decidam o que pode ser votado”, afirmou. Na sequência, a deputada Erika Kokay interrompeu o discurso e falou para Barbudo deixar a presidência da comissão para que ela assumisse. Segundo a petista, pelo regimento interno da Câmara, ela deveria assumir naquele momento. Um bate-boca entre os parlamentares, então, começou.
“Um minutinho, eu vou terminar, eu tenho o meu tempo como líder”, disse Barbudo. “Não, não, não”, falou Erika. “A senhora não vai me tirar daqui”, rebateu o deputado.
“Você está ocupando a presidência”, afirmou a petista na sequência. “Eu fui colocado pelo presidente. Eu estou no meu tempo de líder. A senhora não pode interromper a minha palavra”, argumentou Barbudo. Após Erika explicar novamente que, pelo regimento, ela deveria assumir, houve a troca.
Posteriormente, quando Erika – ainda na presidência da comissão – dizia que Barbudo não tinha mais o que obstruir na sessão do colegiado porque todos os itens da pauta já haviam sido votados e que em outras comissões os trabalhos também estavam prosseguindo, o deputado começou a discutir com uma servidora fora do microfone.
“Ela é servidora. O lugar de servidor é um lugar a ser com muita dignidade”, defendeu Erika. “Deputado, por favor, se controle”, solicitou, se referindo a Barbudo. A servidora afirmou que o congressista estava “a serviço do povo” e que é “pago pelo povo”. “Eu sou obrigado a aguentar isso?”, falou Barbudo, diante das afirmações. “O senhor é obrigado porque o senhor é empregado do povo”, respondeu a servidora. Erika Kokay pediu que ela se acalmasse também.
Bronca de Fred Costa
Mais tarde, Fred Costa retornou à sessão, reassumiu a presidência e criticou as confusões. “Primeiro eu gostara de lamentar. No dia em que me tornei presidente, fiz questão de ressaltar que quem brigam são as ideias, jamais os homens. Não gostaria jamais que essa comissão se tornasse um circo para a aparição de likes”, declarou.
“Um circo sob subterfúgio da falsa democracia para ludibriar o eleitor. Eu lamento que numa Casa Legislativa que teoricamente tenham 513 adultos, que estão aqui legitimamente trazidos pela vontade popular, eu tenha que deixar momentaneamente o outro compromisso para apaziguar um clima hostil nada justificável”, acrescentou o senador.
Segundo Fred Costa, o regimento interno permite que passe a presidência da forma como fez mais cedo com Barbudo. O deputado anunciou ainda que, por causa das confusões, iria refletir sobre qual seria sua condução em relação a requerimentos de audiência pública que tinham sido protocolados. Confira a fala:
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