Paraguai convoca embaixador no Brasil para consulta sobre ação da Abin
A ação de inteligência foi revelada por um servidor da Abin à PF, que investiga irregularidades na agência
O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rúben Ramirez (foto), anunciou nesta terça-feira, 1º, a convocação do embaixador paraguaio no Brasil, Juan Angel Delgadillo, para consulta imediata sobre a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), acusada de ter hackeado autoridades do país durante o atual governo Lula.
“Convocamos de imediato o embaixador paraguaio na República Federativa do Brasil, Juan Angel Delgadillo, para que informe sobre os aspectos realizados na ação de inteligência em assuntos do governo do Paraguai”, afirmou Ramirez.
O chanceler também anunciou a suspensão das negociações do Anexo C do Tratado de Itaipu até que o Brasil forneça esclarecimentos sobre ações de inteligência.
A operação da Abin
Um servidor da agência de inteligência contou à Polícia Federal, em depoimento, que a Abin hackeou autoridades do governo do Paraguai para obter informações relacionadas à negociação de tarifas da usina hidrelétrica de Itaipu Binacional, objeto de disputa comercial entre os dois países.
Embora o planejameno tenha começado ainda na gestão de Jair Bolsonaro (PL), a ação foi executada com a autorização do atual diretor da Abin, Luiz Fernando Corrêa.
A informação foi publicada pelo Uol.
O agente contou que a ação envolveu o uso do programa Cobalt Strike, usado para invasão de dispositivos de informática.
“O Cobalt Strike era uma ferramenta utilizada para o desenvolvimento de um artefato de intrusão em computadores do governo paraguaio para dados relacionados à negociação bilateral de Itaipu […] O objeto da operação era a obtenção dos valores que seriam negociados do anexo C dos valores de venda de energia produzida por Itaipu”, afirmou.
Em depoimento, ele disse que agentes da Abin fizeram três viagens para Chile e Panamá, de onde foram disparados os ataques, para montar os servidores virtuais usados na ação.
“Foram invadidos o Congresso paraguaio, Senado, Câmara e Presidência da República”, revelou o agente.
Os alvos eram “autoridades relacionadas diretamente à negociação e aos valores a serem cobrados por megawatt”.
“Foram capturadas [informações] de cinco ou seis pessoas”, acrescentou, sem mencionar a data da operação, as informações obtidas ou as identidades dos alvos.
O Itamaraty nega
Em nota, o Itamaraty negou qualquer ação de inteligência contra o Paraguai.
“O governo do Presidente Lula desmente categoricamente qualquer envolvimento em ação de inteligência, noticiada hoje, contra o Paraguai, país membro do Mercosul com o qual o Brasil mantém relações históricas e uma estreita parceria. A citada operação foi autorizada pelo governo anterior, em junho de 2022, e tornada sem efeito pelo diretor interino da Abin em 27 de março de 2023, tão logo a atual gestão tomou conhecimento do fato.
O atual diretor-geral da Abin encontrava-se, naquele momento, em processo de aprovação de seu nome no Senado Federal, e somente assumiu o cargo em 29 de maio de 2023.
O governo do Presidente Lula reitera seu compromisso com o respeito e o diálogo transparente como elementos fundamentais nas relações diplomáticas com o Paraguai e com todos seus parceiros na região e no mundo.”
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