Le Pen, favorita na França, enfrenta maior revés da carreira
Condenação por desvio de fundos no Parlamento Europeu torna a líder nacionalista inelegível por cinco anos. Defesa vai recorrer
Marine Le Pen, figura central da política francesa no século XXI e nome mais forte nas pesquisas para a eleição presidencial de 2027, enfrenta agora o maior obstáculo de sua carreira.
Condenada nesta segunda, 31, por desvio de verbas públicas durante seu mandato como eurodeputada, Le Pen foi declarada inelegível por cinco anos, além de ter recebido pena de quatro anos de prisão, dois deles em regime fechado, e multa de 100 mil euros.
A decisão, proferida pelo Tribunal Penal de Paris, tem efeito imediato, mas ainda cabe recurso. A defesa nega as acusações e promete recorrer.
O caso gira em torno da contratação de assistentes parlamentares pagos com verbas do Parlamento Europeu, que segundo a acusação atuavam na verdade em atividades ligadas ao partido francês Rassemblement National. As irregularidades teriam ocorrido entre 2004 e 2016, em um esquema que, segundo os investigadores, causou prejuízo de aproximadamente 2,9 milhões de euros.
Marine Le Pen, de 56 anos, entrou na política como herdeira do partido fundado por seu pai, Jean-Marie Le Pen. Advogada formada pela Universidade Panthéon-Assas, iniciou a vida pública como conselheira regional e chegou ao Parlamento Europeu em 2004, onde permaneceu até 2017.
Em 2011, assumiu a presidência do então Frente Nacional, dando início a um reposicionamento estratégico do partido, posteriormente rebatizado como Rassemblement National.
O processo de normalização institucional do partido buscava afastar a legenda da imagem historicamente associada ao antissemitismo e ao radicalismo, sem abandonar bandeiras como a limitação da imigração, a crítica à União Europeia e a defesa da soberania nacional.
Sob sua liderança, o partido ampliou sua base eleitoral e passou a disputar o segundo turno das eleições presidenciais.
Le Pen disputou o Palácio do Eliseu em 2012, 2017 e 2022. Nas duas últimas eleições, foi derrotada por Emmanuel Macron, mas reduziu significativamente a diferença: em 2022, conquistou 41,5% dos votos no segundo turno. Desde então, consolidou-se como principal nome da oposição.
Segundo levantamento recente do Instituto Francês de Opinião Pública, Le Pen liderava as intenções de voto para a próxima eleição presidencial, com índices entre 34% e 37% no primeiro turno.
A decisão judicial ocorre em um momento-chave da política francesa. A possibilidade de sua inelegibilidade altera de imediato o cálculo eleitoral de 2027 e força o Rassemblement National a acelerar a construção de uma candidatura alternativa.
O nome mais provável é o de Jordan Bardella, presidente do partido desde 2022 e eurodeputado de 28 anos, visto como o principal herdeiro político de Le Pen.
A reação interna à condenação foi imediata. Bardella classificou a decisão como um atentado contra a democracia e afirmou que Le Pen está sendo “injustamente perseguida”.
O governo russo criticou o que chamou de “violações das normas democráticas” e o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán declarou apoio público à deputada francesa.
Le Pen nega qualquer irregularidade. Durante o julgamento, declarou que “não cometeu fraude” e que a acusação parte de uma interpretação restritiva e arbitrária das funções parlamentares.
Seus advogados alegam que os assistentes mencionados exerceram tarefas compatíveis com os mandatos no Parlamento Europeu e sustentam que a condenação tem caráter político.
A decisão judicial, embora ainda sujeita a revisão, impõe um novo cenário à política francesa. Se confirmada, Le Pen ficará fora da disputa eleitoral justamente no momento em que mais se aproximava do poder. Se revertida, poderá retomar a candidatura com a narrativa de perseguição judicial.
Em qualquer hipótese, o julgamento marca um ponto de inflexão no futuro do Rassemblement National e na disputa pelo eleitorado de direita na França.
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Comentários (1)
saul simoes junior
31.03.2025 10:06Leva o Toffoli para dar uma palestra com a Janja (pessoa que tem uma influência enorme naquele país, vide a quantidade de convites que recebe de lá) e o Tribunal Francês aprenderá um novo ramo do direito, o direito corruptível, é pronto a Le Pen será descondenada.