Faltou a ata de Gleisi
Agora ministra das Relações Institucionais, a petista calou sobre o novo aumento na taxa básica de juros; coube a Lindbergh botar a culpa de novo em Campos Neto
Afastada da presidência do PT desde que assumiu a Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula, Gleisi Hoffmann (à esquerda na foto) não comentou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de elevar a taxa básica de juros em mais um ponto percentual, anunciada na quarta-feira, 19.
Seus seguidores nas redes sociais sentiram falta daquilo que O Antagonista apelidou de “ata de Gleisi”, em alusão às atas em que o Copom explica suas decisões e em referência às reclamações que a petista se acostumou a fazer após elevações na Selic durante a gestão de Roberto Campos Neto.
Agora, esse papel parece caber ao líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), que botou a culpa em Campos Neto, apesar de Gabriel Galípolo, indicado por Lula, comandar o Banco Central desde 1º de janeiro.
“Impactos nefastos”
“Essa política monetária é um equívoco com impactos nefastos para a economia brasileira e também para a questão fiscal no nosso país”, protestou Lindbergh em seu perfil no X, seguindo:
“Cada 1% a mais na taxa básica de juros, temos um aumento de gastos com juros da dívida de algo em torno de R$ 50 bilhões. O mercado defende ajuste fiscal, mas ao mesmo tempo pressiona por uma política monetária que causa um verdadeiro rombo nas contas públicas.
Entendemos que a decisão de dezembro, tomada por Roberto Campos Neto, já deixou pré-fixado dois aumentos de 1% na Selic. Esse Guidance deixou amarrado o BC, mas chamo atenção para os efeitos dessa política tanto para aspecto fiscal quanto para a atividade econômica. Nós vamos insistir na necessidade urgente de rever essa política monetária.”
O deputado não disse nada sobre rever a política fiscal do governo Lula, que gasta demais e pressiona os preços do país para cima, o que leva o Banco Central a ter de atuar na tentativa de levar a inflação para o centro da meta, de 3%, ou ao menos próximo do teto da meta, de 4,5%. A previsão de inflação para este ano gira em torno de 5,66%.
De quem é a culpa mesmo?
Presidente interino do PT, o senador Humberto Costa (PE, à direita na foto) também se manifestou, mas por meio das redes sociais do partido, ao contrário do que fazia Gleisi, que usava seu perfil pessoal. Como era de se esperar, Costa também culpou Campos Neto.
“O PT mantém sua posição crítica em relação à taxa Selic. O recente aumento para 14,25%, já previsto pela gestão Campos Neto, em dezembro, traz consequências significativas: elevação da dívida pública, agravamento do endividamento familiar e comprometimento do crescimento econômico nacional”, disse Costa.
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