Conselheiro de Trump é criticado por indicar concessões a Putin na TV
Deputado republicano, ex-embaixador americano na Rússia e 59% da população dos EUA repudiam abordagem do governo
O conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos no governo de Donald Trump, Mike Waltz, foi criticado nas redes sociais, inclusive por um ex-embaixador dos EUA na Rússia e por contas de republicanos, por ter indicado à Fox News na sexta-feira, 14, que Vladimir Putin ficará com a região de Donbass, no leste da Ucrânia, como parte de um acordo de suposta paz.
O âncora Sean Hannity, ao entrevistá-lo, especulou:
“Se eu fosse imaginar como esse acordo se desenrola, seria o acordo de minerais de terras raras, um componente que mantém o envolvimento e a presença dos Estados Unidos na Ucrânia. Talvez as tropas europeias também pudessem estar na Ucrânia. Eu imagino que a Ucrânia fazendo parte da Otan não vai acontecer, e imagino que partes [do território ucraniano] – talvez a região de Donbass em particular, ou áreas fortemente povoadas por pessoas da Rússia – iriam para Putin em qualquer acordo negociado. Estou errado na minha conjectura aqui?”
Waltz respondeu:
“Sean, sem surpresa, você não está errado em nada disso. E o importante é que estamos discutindo todas essas coisas com ambos os lados. Estamos tendo essas discussões entre nossos colegas e os russos. Estamos tendo essas discussões entre nossos colegas e os ucranianos, e estamos empurrando os dois lados junto com o presidente Trump, o negociante-chefe que está determinado a acabar com esta guerra.”
A conta “Republicanos contra Trump” considerou “ultrajante” a antecipação na TV de concessões ao país invasor de partes do território do país invadido.
O democrata Michael McFaul, ex-embaixador dos EUA na Rússia, ainda comentou em cima, na linha das análises do Papo Antagonista:
“Eu gostaria que [o secretário de Estado americano, Marco] Rubio, Waltz e toda a equipe de Trump parassem de falar sobre essas negociações na televisão e mantivessem essas discussões a portas fechadas.”
McFaul já havia publicado uma foto de seis anos atrás de uma mesa ao redor da qual estavam sentados Putin, Zelensky, o presidente da França, Emmanuel Macron, e a então primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, para lembrar a violação cometida pelo ditador russo daquele acordo anterior:
“Em 2019, Zelensky assinou um cessar-fogo com Putin. Três anos depois, Putin lançou sua invasão em grande escala. Portanto, eles [os ucranianos] estão certos em se preocupar com outro cessar-fogo sem garantias de segurança. Nós deveríamos estar preocupados também.”
O deputado republicano Don Bacon, citando uma pesquisa SSRS divulgada na sexta pela CNN Internacional, destacou que “68% dos americanos querem fornecer ajuda militar à Ucrânia nos níveis atuais ou maiores”.
“Eles sabem que Putin é um inimigo e que a Ucrânia está lutando pela liberdade”, comentou o congressista, “um dos poucos a se levantar e insistir em apoiar a Ucrânia contra o invasor”, como o descreveu outro usuário do X, ressaltando que Bacon “tem a maioria dos americanos com ele”.
De fato, ainda de acordo com o levantamento, a maioria dos americanos (59%) desaprova a abordagem de Trump no relacionamento dos EUA com a Rússia e sua gestão da situação na Ucrânia, enquanto 41% dizem o contrário.
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