“Cessar-fogo” entre EUA e Ucrânia rende retomada de serviços e piada ucraniana
Maxar restaura acesso ucraniano a imagens de satélite e governo Trump encaminha proposta à Rússia, enquanto bombardeios continuam
A empresa americana de mapeamento de satélites Maxar Technologies restaurou o acesso ucraniano ao programa Global Enhanced GEOINT Delivery (GEGD), principal portal de imagens comerciais compradas pelo governo dos Estados Unidos.
Os EUA haviam suspendido temporariamente as contas ucranianas no GEGD após a tensão entre a administração de Donald Trump e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em reunião realizada na Casa Branca em 28 de fevereiro.
A medida era um efeito da proibição imposta pelo governo Trump a empresas privadas de fornecerem dados de inteligência à Ucrânia após a interrupção da ajuda militar americana.
A interrupção da ajuda militar havia sido colocada em prática para pressionar Zelensky a negociar a paralisação da guerra, iniciada há três anos com a invasão de seu país por tropas russas, sob as ordens do ditador Vladimir Putin.
Diante do acordo entre EUA e Ucrânia estabelecido na terça-feira, 11 de março, em torno de uma proposta de cessar-fogo por 30 dias a ser encaminhada a Rússia pelo governo Trump, a suspensão das contas ucranianas no GEGD foi derrubada, levando à restauração dos serviços pela Maxar.
No comunicado conjunto de EUA e Ucrânia, emitido após a reunião de terça na Arábia Saudita, já havia a previsão de retomada da colaboração americana, como mostramos neste portal e analisamos no Papo Antagonista:
“Os Estados Unidos suspenderão imediatamente a pausa no compartilhamento de inteligência e retomarão a assistência de segurança à Ucrânia.”
O que aconteceu com a Ucrânia durante a pausa de ajuda dos EUA?
Na sexta-feira, 7, o New York Times publicou a matéria “Míssil atinge hotel na cidade natal de Zelensky”, referindo-se a um bombardeio ocorrido na noite de quinta, 6. Subtítulo: “Pelo menos quatro pessoas foram mortas em um ataque russo, disse a Ucrânia, em meio a preocupações com as defesas aéreas depois que os EUA disseram que estavam suspendendo a ajuda militar e de inteligência”.
Trump, que havia tomado uma medida prática contra a Ucrânia, então buscou se descolar de suas alegadas consequências. Na manhã daquela mesma sexta-feira, ele ameaçou retoricamente a Rússia de sanções, mas cobrou do país invadido um acerto com o invasor:
“Com base no fato de que a Rússia está absolutamente ‘batendo’ na Ucrânia no campo de batalha agora, estou considerando fortemente Sanções Bancárias, Sanções e Tarifas em grande escala na Rússia até que um cessar-fogo e um ACORDO FINAL DE PAZ SEJA ALCANÇADO.
Para a Rússia e a Ucrânia, cheguem à mesa agora, antes que seja tarde demais. Obrigado!!!”
Analisamos a postura de Trump no Papo Antagonista do dia 7.
No sábado, 8, o New York Times publicou uma nova matéria com o título “Ataques russos matam 20 no leste da Ucrânia à medida que os EUA reduzem seu apoio”.
Horas depois, a revista americana Time ouviu de um militar que, “como resultado desta pausa, há centenas de ucranianos mortos” e que “o maior problema é o moral”, já que as forças armadas da Ucrânia estavam sendo deixadas para lutar sem alguns de seus melhores sistemas de armas, não como resultado de ataques russos, mas de recuos dos EUA. “Está realmente causando uma vantagem para o inimigo na linha de frente”, completou.
A matéria da Time, com a estimativa de “centenas de mortos” destacada no título, serviu de base para críticas ao posicionamento do governo Trump, como mostramos.
“Não se pode ficar igualmente distante do agressor e da vítima. Neutralidade diante do genocídio significa auxiliá-lo”, comentou naquele sábado, no X, Olena Halushka, diretora do Centro de Ação Anticorrupção e cofundadora do Centro Internacional para a Vitória Ucraniana, uma associação de ONGs do país invadido.
Na terça-feira, 11, em coletiva de imprensa realizada após o acordo entre EUA e Ucrânia, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, questionado sobre a posição dos russos, disse que “a bola agora está na quadra deles”.
“A Ucrânia está pronta para parar de atirar e começar a conversar, e agora caberá a eles dizer sim ou não. Espero que digam sim. Se disserem, acho que fizemos um grande progresso. Se disserem não, infelizmente saberemos qual é o impedimento para a paz aqui”, acrescentou Rubio, como se ainda não fosse sabido que o impedimento para a paz, desde a invasão, é Putin.
As forças armadas russas ainda lançaram na madrugada desta quarta-feira, 12, um ataque aéreo contra Kiev, um dia após a Ucrânia ter reagido a seus sucessivos bombardeios com uma ofensiva de drones contra Moscou.
Humor em tempos de guerra
Não à toa, uma piada ucraniana resumiu a situação e logo se espalhou no X:
“Boas notícias! Finalmente concordamos com um cessar-fogo com a América – então agora podemos nos concentrar em lutar contra a Rússia.”
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