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“O identitarismo matou o debate sobre raça”

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Alexandre Borges
4 minutos de leitura 10.03.2025 06:17 comentários
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“O identitarismo matou o debate sobre raça”

Matt Feeney, escritor e filósofo americano, explica como a imposição de políticas identitárias sufocou a discussão aberta sobre raça nos EUA

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Alexandre Borges
4 minutos de leitura 10.03.2025 06:17 comentários 1
“O identitarismo matou o debate sobre raça”
Foto: IA por Alexandre Borges
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O escritor americano Matt Feeney publicou neste sábado, 9, artigo no portal UnHerd intitulado “Como o DEI matou o debate racial”, em que analisa como a ascensão do identitarismo nos Estados Unidos eliminou qualquer espaço para discussões legítimas sobre raça, substituindo por regras autoritárias, impostas de cima para baixo.

O termo DEI, sigla para “Diversidade, Equidade e Inclusão”, é apenas o nome publicitário de um conjunto de políticas identitárias que ampliam divisões raciais e sociais sob o pretexto de combater injustiças.

“O regime da diversidade removeu vários temas raciais do debate público e impôs uma visão decididamente de esquerda sobre esses temas a todos”, escreve Feeney.

Enquanto a imprensa progressista tenta reduzir essa resistência ao racismo, Feeney argumenta que a revolta contra essas políticas tem raízes mais profundas e legítimas.

Nos anos que se seguiram ao movimento pelos direitos civis nos EUA, havia um debate real sobre o papel de políticas raciais como cotas e “ação afirmativa”.

O próprio presidente Lyndon Johnson justificava essas políticas afirmando que “meramente tornar a discriminação ilegal não corrigiria os muitos erros históricos contra os negros americanos”. No entanto, havia também uma forte corrente de oposição, baseada no argumento de que a Constituição americana e a Lei dos Direitos Civis de 1964 proíbem qualquer forma de discriminação racial, incluindo as chamadas políticas reparatórias.

Esse debate começou a ser enterrado após o julgamento do caso California vs. Bakke em 1978. A Suprema Corte declarou ilegais as cotas raciais nas universidades, mas permitiu que a “diversidade” fosse usada como critério de admissão.

Isso abriu caminho para que burocratas universitários fizessem da diversidade não apenas um fator na educação, mas a prioridade número um de suas instituições. “O resultado foi uma reorganização temática das universidades, onde a diversidade se tornou uma espécie de fetiche institucional”, escreve Feeney.

O autor destaca que o mesmo fenômeno se expandiu para grandes empresas, onde a preocupação com “ambientes de trabalho hostis” deu origem a departamentos de diversidade que muitas vezes atuam como tribunais internos, punindo empregados por transgressões nebulosas contra os dogmas do identitarismo.

“O que a estrutura de diversidade nas universidades fez para os estudantes e professores, a estrutura corporativa fez para os funcionários”, resume.

Feeney também ressalta que o impacto dessas políticas vai além das corporações e universidades, chegando às escolas.

Nos últimos anos, pais de alunos começaram a se insurgir contra currículos escolares recheados de ativismo racial. “A resistência a isso não vem apenas de racistas ou conservadores reacionários”, argumenta. Para muitos pais, o problema central é que esses conceitos estão sendo impostos aos seus filhos sem qualquer debate público.

“Quando a professora do seu filho de 10 anos diz que apoia a destruição da família nuclear ocidental, ou que aprendeu a desconstruir seu privilégio racial, você percebe que uma política radical está sendo imposta.”

O artigo conclui que o identitarismo se tornou uma força burocrática que escapou ao controle democrático, sendo imposto por especialistas, consultores e administradores sem qualquer discussão real.

“O sistema de diversidade não surgiu de decisões democráticas nem de mandatos judiciais. Foi uma criação dos burocratas, que não debatem — apenas emitem ordens”, critica Feeney.

Ele alerta que esse modelo não apenas sufoca o livre pensamento, mas também gera ressentimento, alimentando uma reação populista que pode ter consequências imprevisíveis.

Quem é Matt Feeney

Matt Feeney é um escritor e filósofo americano, doutor em filosofia pela Universidade da Califórnia, Berkeley.

Suas análises frequentemente abordam temas culturais e políticos sob uma ótica crítica à influência excessiva de burocracias institucionais na vida pública.

Ele já publicou artigos em veículos como The New Yorker e The New York Times, além de ser autor do livro Little Platoons, que examina a cultura da competitividade na educação americana.

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Comentários (1)

Clayton De Souza pontes

10.03.2025 10:37

A política DEI termina exigindo a priorização dos diversos segmentos eleitos para terem cotas no espaço público, o que complica muito


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Clayton De Souza pontes

10.03.2025 10:37

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