Europa se arma contra avanço de Putin
Primeiro-ministro da Polônia anuncia busca de “capacidades mais avançadas, incluindo armas nucleares”
O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk (foto), que tem saído publicamente em defesa da Ucrânia e de seu presidente, Volodymyr Zelensky, bem como erguido a voz contra Vladimir Putin e a guinada dos Estados Unidos sob Donald Trump em alinhamento ao ditador russo, reforçou sua postura no X e no Parlamento polonês, anunciando investimentos em segurança e defesa de fronteiras.
“A guerra, a incerteza geopolítica e a nova corrida armamentista iniciada por Putin deixaram a Europa sem escolha. A Europa deve estar pronta para esta corrida, e a Rússia a perderá, como a União Soviética perdeu há 40 anos. A partir de hoje, a Europa se armará com mais sabedoria e rapidez do que a Rússia”, publicou Tusk no X na quinta-feira, 6 de março.
Nesta sexta, 7, ele aprofundou sua avaliação no Parlamento, explicando as medidas:
“Estamos testemunhando uma mudança significativa na política dos EUA em relação à guerra Rússia-Ucrânia. Cada nação, incluindo a Polônia, tem o direito e a responsabilidade de avaliar cuidadosamente o que se alinha com seus interesses, segurança e o que pode representar um desafio.
O compromisso da Polônia com as relações transatlânticas e a OTAN deve permanecer inquestionável.
Nossa segurança está diretamente ligada não apenas à situação atual no front de guerra, mas também ao status futuro da Ucrânia.
Se a Ucrânia permanecer um Estado totalmente soberano e pró-ocidental, a Polônia e a Europa estarão mais seguras. Se perder a guerra ou aceitar um acordo que enfraqueça sua soberania, a posição geopolítica da Polônia se deteriorará.
Transferiremos fundos de projetos não essenciais para melhorar nossas capacidades de defesa.
Os fundos europeus serão direcionados para o fortalecimento das capacidades de defesa. Vamos nos concentrar em defesa aérea, artilharia, munição, mísseis, drones, mobilidade militar, guerra eletrônica, bem como IA em aplicações militares e armas cibernéticas.
Ontem, o Conselho Europeu reconheceu o Escudo Leste como uma prioridade para a União Europeia. Isso levará a um aumento no financiamento para instalações e atividades em nossa fronteira oriental.”
Escudo Leste
O Escudo Leste (“East Shield”) é uma iniciativa de defesa nacional lançada pelo governo polonês para fortalecer suas fronteiras orientais com Belarus e o enclave russo de Kaliningrado. O programa representa um dos investimentos mais significativos da Polônia em segurança no período do pós-guerra.
“A Polônia propôs estabelecer um ‘Banco de Defesa’ europeu dentro da UE, no modelo do Banco Europeu de Investimento, para financiar iniciativas de defesa. No entanto, é muito cedo para dizer se esta proposta garantiu apoio de outros parceiros.
Pedi ao Ministério da Defesa para iniciar a retirada da Polônia da Convenção de Ottawa e possivelmente da Convenção de Dublin. Isso diz respeito a minas terrestres antipessoais e munições de fragmentação.
Estamos preparando treinamento militar em larga escala para cada homem adulto na Polônia. Nossa meta é finalizar o plano até o fim do ano para garantir uma força de reserva bem treinada e pronta para ameaças potenciais.
A Polônia deve buscar as capacidades mais avançadas, incluindo armas nucleares e modernas não convencionais. Esta é uma corrida séria – uma corrida pela segurança, não pela guerra”, concluiu Tusk.
ReArm Europe
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, detalhou nesta semana seu plano para rearmar a Europa. Os esforços financeiros vão totalizar 800 bilhões de euros.
Von der Leyen resumiu o plano em quatro eixos principais:
- Mais espaço fiscal para financiamento público nacional para defesa através da cláusula de escape
- Um novo instrumento para empréstimos aos países da União Europeia para as capacidades de defesa mais necessárias
- Utilização mais flexível do financiamento da União Europeia para investimentos na defesa
- Mais capital privado mobilizado através da União de Poupança e Investimento e do Banco Europeu de Investimento
“Nas várias reuniões das últimas semanas, mais recentemente há dois dias em Londres, a resposta das capitais europeias tem sido tão retumbante quanto clara: estamos em uma era de rearmamento”, discursou a presidente da Comissão Europeia ao detalhar seu plano.
Leia mais: Um plano para rearmar a Europa
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Comentários (2)
Marian
07.03.2025 18:06Desde quando a Europa é unida?
Denise Pereira da Silva
07.03.2025 17:39Espero que as nações europeias não fiquem só no discurso retórico e comecem logo a agir e se prepararem para se defender da fome territorial do governo de Putin.