Trump é um bom negociador? Especialista ex-FBI diz que não
Segundo um dos maiores especialistas em negociação do mundo, Trump pode dominar o marketing, mas não é um mestre da arte de negociar
Donald Trump construiu sua reputação como negociador graças ao sucesso de seu livro “A Arte da Negociação“, publicado em 1987, no qual descreve sua filosofia sobre acordos e estratégias empresariais.
Chris Voss, ex-negociador do FBI e referência mundial no tema, questiona essa imagem e afirma que Trump não domina os princípios essenciais para uma negociação eficaz.
Para Voss, as táticas empregadas por Trump, como a agressividade e a imprevisibilidade, podem gerar impacto imediato, mas não garantem acordos sustentáveis ou relacionamentos duradouros – elementos fundamentais para o sucesso real em negociações.
Ex-negociador do FBI e autor do best-seller “Nunca Divida a Diferença“, Voss oferece uma análise crítica que contrasta com essa reputação. Para Voss, Trump pode ser um excelente marketeiro, mas falha nos princípios fundamentais de uma negociação eficaz.
Um dos episódios que ilustram a visão de Chris Voss sobre a ineficácia da abordagem de Trump ocorreu durante seu encontro com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky na Casa Branca.
Em uma publicação no X, Voss questionou sarcasticamente: “Um rótulo? Um espelhamento? Uma auditoria de acusação? Não ensinei nada a vocês?”, sugerindo que nenhum dos líderes empregou técnicas eficazes de negociação.
Na postagem seguinte, ele reforçou sua análise com um princípio fundamental: “A negociação mais perigosa é aquela que você não sabe que está acontecendo.”
Para o especialista, tanto Trump quanto Zelensky podem ter subestimado os aspectos estratégicos do encontro, expondo-se a riscos que poderiam ter sido mitigados com uma abordagem mais estruturada e consciente da dinâmica da negociação.
Voss, que passou décadas negociando em situações de reféns e treinando líderes empresariais, argumenta que a negociação não se trata apenas de conseguir concessões imediatas, mas de construir relacionamentos sustentáveis e acordos vantajosos para todas as partes.
Segundo ele, Trump se destaca na criação de narrativas e no uso da linguagem para atrair seguidores, mas seu estilo de negociação baseado em agressividade e imprevisibilidade frequentemente prejudica suas próprias chances de sucesso.
Entre as táticas utilizadas por Trump, Voss identifica a ancoragem extrema, uma técnica em que o negociador começa com uma proposta absurdamente alta para forçar a contraparte a ceder mais.
Embora essa abordagem possa funcionar em certos contextos, Voss adverte que, quando usada constantemente, ela afasta parceiros e reduz as oportunidades de fechamento de acordos.
Outro ponto fraco do presidente, segundo o especialista, é seu comportamento agressivo e a imprevisibilidade estratégica, que podem intimidar adversários, mas também dificultam a criação de alianças duradouras.
Trump também recorre frequentemente à emoção como ferramenta de desestabilização, elevando o tom e pressionando seus interlocutores.
Para Voss, essa estratégia pode funcionar no curto prazo, mas não cria um ambiente propício para negociações produtivas a longo prazo.
O grande problema do estilo Trump, segundo Voss, é que ele frequentemente não leva ao fechamento de negócios concretos.
Um exemplo citado pelo autor é a negociação com a Coreia do Norte: apesar do impacto midiático dos encontros entre Trump e Kim Jong-un, os avanços foram mínimos e nenhum acordo significativo foi firmado.
Para Voss, um bom negociador deve ser capaz de transformar diálogos e concessões em resultados práticos, algo que Trump raramente consegue fazer.
A visão de Voss sugere que Trump pode ser um comunicador excepcional e um estrategista eleitoral habilidoso, mas suas técnicas de negociação são mais teatrais do que eficazes.
Em vez de adotar um estilo agressivo e egocêntrico, Voss defende uma abordagem baseada em escuta ativa, empatia e paciência – características essenciais para construir acordos duradouros.
Segundo um dos maiores especialistas em negociação do mundo, Trump pode dominar o marketing, mas não é um mestre da arte de negociar.
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Comentários (2)
Magdalena Buzolin
07.03.2025 12:34Troglodita numa loja de cristais…infelizmente a America e o resto do mundo estão a mercê de chefões autoritários e não de verdadeiros lideres.
saul simoes junior
07.03.2025 11:37O cara é eleito duas vezes para presidente do pais mais rico do mundo e não sabe negociar, imagina se soubesse? Como perdem tempo com gente inútil!