Homem confessa incêndio em museu judaico nos EUA
Casos de antissemitismo disparam nos Estados Unidos
Um homem se declarou culpado pelo incêndio criminoso ocorrido no ano passado em frente ao Museu Judaico de Maryland, nos Estados Unidos.
Assadollah Hashemi, de 66 anos, admitiu à Justiça que estava sob efeito de cocaína no momento do ataque e afirmou sofrer de transtorno bipolar.
A confissão veio em meio a um cenário de crescente hostilidade contra judeus no país, com um aumento alarmante dos crimes de ódio.
Hashemi foi condenado a 15 anos de prisão, mas cumprirá apenas o tempo já passado sob custódia. Após a libertação, ficará cinco anos em liberdade condicional e será obrigado a seguir um plano de tratamento de saúde mental, prestando contas regularmente à Justiça e a um agente de condicional.
A Promotoria ressaltou que o réu possui um histórico de crimes semelhantes. Em julho do ano passado, ele foi flagrado em meio a uma crise comportamental antes de incendiar uma lata de lixo.
Além disso, pouco antes do ataque ao museu, Hashemi enviou uma mensagem de texto ameaçando que “todos os judeus seriam queimados na fornalha” caso não recebesse resposta de um contato. Inicialmente, ele negou a acusação, mas depois alegou não se lembrar do ocorrido.
O caso reacendeu preocupações sobre o aumento do antissemitismo nos Estados Unidos. Segundo a Liga Antidifamação (ADL), os crimes de ódio contra judeus atingiram níveis recordes nos últimos anos.
Em 2023, o país registrou um aumento de mais de 35% nos incidentes antissemitas em relação ao ano anterior, incluindo ataques físicos, vandalismo e ameaças.
O crescimento desse tipo de violência vem sendo atribuído a uma combinação de fatores, como a disseminação de teorias da conspiração nas redes sociais, a radicalização política e a normalização de discursos de ódio.
Em Baltimore, onde ocorreu o ataque de Hashemi, a comunidade judaica tem se mobilizado para reforçar a segurança em sinagogas, escolas e centros culturais.
Autoridades locais prometeram medidas mais rígidas para combater crimes motivados por intolerância religiosa. Especialistas alertam que a escalada do antissemitismo exige uma resposta nacional mais contundente, incluindo leis mais severas e campanhas de conscientização para enfrentar o problema.
Entenda o caso
O incêndio ocorreu em 4 de agosto do ano passado, quando marcas de queimadura foram descobertas na entrada do Museu Judaico de Maryland por uma equipe de reforma (foto).
O museu, localizado entre duas sinagogas históricas de Baltimore, estava fechado para reformas há um ano e não havia registrado ameaças anteriores.
Imagens de câmeras de segurança captaram o veículo usado na fuga, permitindo que a polícia identificasse e prendesse Hashemi dias depois.
Ele foi acusado de incêndio de segundo grau e tentativa de queima criminosa de primeiro grau. O local do crime e a natureza do ataque geraram forte condenação da comunidade judaica local, que apontou a possibilidade de motivação antissemita.
“É difícil acreditar que alguém incendiaria aleatoriamente um museu claramente identificado como judaico, entre duas sinagogas históricas, sem alguma intenção antissemita ou anti-Israel”, declarou Howard Libit, diretor-executivo do Conselho Judaico de Baltimore.
Apesar da gravidade do crime, as autoridades não confirmaram inicialmente se o caso seria tratado como crime de ódio.
A confissão de Hashemi e as ameaças feitas por mensagem antes do ataque reforçaram as suspeitas de motivação antissemita, ampliando os temores sobre o avanço desse tipo de crime nos Estados Unidos.
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