“A fraqueza da Europa é uma escolha”
Daniel McCarthy critica as elites europeias por três décadas de declínio autoimposto
O jornalista americano Daniel McCarthy publicou nesta terça, 4, artigo intitulado “Europe’s Decline Was a Choice” no site RealClearPolitics.
McCarthy argumenta que a fraqueza atual da Europa não é resultado de fatores inevitáveis, mas sim de decisões políticas tomadas por suas elites nas últimas três décadas.
Donald Tusk, primeiro-ministro da Polônia, ilustra essa decadência ao apontar um cenário humilhante: “500 milhões de europeus implorando para que 300 milhões de americanos os defendam de 140 milhões de russos”.
Para Tusk, a Europa tem força econômica e populacional, mas carece de confiança para se afirmar como potência global.
McCarthy lembra que, ao contrário da Europa Ocidental, países como Polônia e Ucrânia sempre entenderam o perigo representado pela Rússia.
“Os líderes da Europa Ocidental não podem alegar surpresa com a invasão total da Ucrânia em 2022”, afirma ele, recordando que Vladimir Putin já havia tomado a Crimeia em 2014 e promovido ataques diretos no Ocidente, como o envenenamento do ex-espião Alexander Litvinenko no Reino Unido em 2006.
A passividade europeia também se manifestou diante do terrorismo islâmico. McCarthy critica os líderes que, ao invés de reagirem com firmeza, “continuaram a tratar os cidadãos que pediam restrições à imigração como o verdadeiro inimigo”. Para ele, essa abordagem reflete uma escolha deliberada de fragilidade.
O problema, segundo o autor, não está no eleitorado europeu, mas sim em suas elites políticas. “O que mudou após a queda do Muro de Berlim não foram os povos da Europa, mas a qualidade de seus líderes”.
Ele menciona o teórico político americano James Burnham, que descreveu a mentalidade das elites ocidentais como “a ideologia do suicídio do Ocidente”. Para McCarthy, isso se traduz na destruição dos pilares tradicionais de poder: religião, patriotismo e base industrial.
O desprezo pela força militar é um exemplo central dessa decadência. Ele cita a alemã Ursula von der Leyen, que há dez anos, como ministra da Defesa, deixou soldados alemães treinando com vassouras no lugar de metralhadoras, por falta de equipamento.
Hoje, ela preside a Comissão Europeia e pede o rearmamento europeu, mas McCarthy duvida de sua credibilidade: “Suas palavras são desmentidas por seu histórico”, observa, citando o historiador britânico David Starkey.
A dependência energética também enfraqueceu a Europa.
Para o autor, a política ambientalista não só prejudicou a indústria como reforçou a dependência de combustíveis fósseis russos. “Menos energia nuclear significa mais gás russo”, escreve, criticando a substituição de uma matriz energética estável por alternativas renováveis mais caras e instáveis.
McCarthy conclui que a Europa se afastou da realidade ao longo das últimas três décadas, e agora tenta recuperar o tempo perdido sem trocar os responsáveis pelo atraso.
A resposta do establishment à ascensão da direita populista reforça essa inércia. Ele lembra que, no mês passado, o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve um recorde de 20% dos votos, mas foi sistematicamente isolado pelos partidos tradicionais.
Quem é Daniel McCarthy
Daniel McCarthy é um jornalista e editor americano, especializado em política e relações internacionais.
Foi editor da revista The American Conservative e atualmente escreve para diversos veículos sobre a ascensão do populismo e o declínio da ordem liberal global.
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Comentários (2)
Denise Pereira da Silva
04.03.2025 15:32O mal que o comodismo e a conveniência de ocasião, aliados a uma onda de populismo e políticas identitárias, fazem aos países.
Eduardo
04.03.2025 12:24Boa análise!