Israel sai em defesa dos drusos na Síria
Escalada do conflito entre as forças sírias e a comunidade étnica drusa fez o governo israelense entrar em ação
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, deixaram de sobreaviso as Forças de Defesa de Israel (FDI) para defenderem a comunidade do grupo étnico druso de Jaramarana, na capital Damasco, após a escalada do enfrentamento contra as forças do novo governo sírio neste sábado, 1º.
Katz afirmou que não irá permitir “que o regime terrorista do Islã radical na Síria ataque os drusos” e enviou um recado ao novo presidente sírio, Ahmed al-Sharaa.
“Se o regime atacar os drusos, ele será atacado por nós. Estamos comprometidos em proteger nossos irmãos drusos em Israel e faremos tudo o que for necessário para evitar danos aos nossos irmãos drusos na Síria”, disse.
Nos últimos dias, as forças do governo sírio iniciaram operações para a retomada da província drusa de Jaramarana, próxima a Damasco. Os moradores da aldeia estão revidando os ataques das forças lideradas por Sharaa.
Milicianos contra-atacaram as forças do governo interino sírio e deixaram um militar morto. Outro foi tomado como refém.
Um integrante da comunidade drusa também teria morrido, segundo relatos locais.
Para sufocar os drusos, as autoridades sírias cortaram o acesso à internet e restringiu a entrada de alimentos.
Em resposta, o governo israelense enviou dezenas de caminhões com suprimentos para a comunidade.
Drones das FDI estão sobrevoando a vila para monitorar as ações do exército sírio contra os drusos, segundo o canal 12 de Israel.
Drusos
Os drusos são uma comunidade étnica religiosa árabe composta por cerca de um milhão de pessoas na Síria, Líbano e Israel.
Nas Colinas de Golã, eles compartilham o território com mais de 25 mil judeus israelenses em mais de 30 assentamentos.
No norte de Israel, cerca de 130 mil drusos israelenses vivem na Galileia e no Carmelo.
Em Israel, diferentemente de cidadãos árabes de outras culturas, homens drusos acima de 18 anos são recrutados pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) e já ocupam cargos de alto escalão dentro do exército.
Além disso, eles têm os mesmos direitos de cidadãos israelenses, podendo participar da vida política do país.
Alauítas perseguidos
Uma reportagem da revista britânica The Economist explorou os desafios enfrentados pelo governo de Ahmed al-Sharaa, o antigo chefe do HTS al-Jolani, de conciliar a proteção de grupos minoritários e, ao mesmo tempo, atender ao desejo de justiça entre os perseguidos por Assad.
Membros da seita alauíta, uma minoria da qual o ex-ditador fazia parte, sentem-se vulneráveis. .
Em Homs, há relatos de perseguição de outros grupos contra os alauítas sob a alegação de “justiça”.
“Os apoiadores do Sr. Sharaa estão esperando em vão por reparação após décadas de ditadura, mesmo que ele esteja falhando em proteger os membros da seita alauíta do Sr. Assad da violência retributiva”, diz trecho da matéria.
Dezenas de pessoas, vistas como apoiadores do ditador Assad, foram sequestradas e mortas em áreas rurais da província.
Os grupos minoritários reclamam da falta de proteção de Sharaa.
Leia mais: “Crusoé: Homs, o retrato da complexidade síria“
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