Dino defende Moraes após cobrança pública do governo Trump
"Pode ir para Carolina, no Maranhão. Não vai sentir falta de outros lugares com o mesmo nome", disse o ministro, diante de possibilidade de bloqueio ao colega nos EUA
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino (à esquerda na foto) manifestou sua solidariedade ao colega Alexandre de Moraes (à direita na foto), que foi alvo de crítica pública do governo Donald Trump por conta do bloqueio determinado à plataforma de vídeos Rumble.
Dino postou o seguinte em seu perfil no Instagram, junto com uma foto ao lado de Moraes e outras de paisagens naturais:
“Os ministros do STF, ao tomarem posse no cargo, juram defender a Constituição brasileira. Nela está escrito:
‘Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
III – autodeterminação dos povos;
IV – não-intervenção;
V – igualdade entre os Estados;’“
Carolina, no Maranhão
O ministro com “cabeça política” indicado por Lula ao STF, que fez na segunda-feira, 24, uma defesa apaixonada do ativismo judicial em aula magna na PUC de São Paulo, seguiu:
“São compromissos indeclináveis, pelos quais cabe a todos os brasileiros zelar, por isso manifesto a minha solidariedade pessoal ao colega ALEXANDRE DE MORAES.
Tenho certeza de que ele permanecerá proferindo ótimas palestras em todo o território brasileiro, assim como nos países irmãos. E se quiser passar lindas férias, pode ir para Carolina, no Maranhão. Não vai sentir falta de outros lugares com o mesmo nome.“
Ao mencionar “outros lugares com o mesmo nome”, Dino parece estar se referindo às Carolinas do Norte e do Sul, estados americanos.
Entrada bloqueada?
A Agência para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano publicou um protesto na quarta-feira, 26, contra o bloqueio da Rumble.
“O respeito pela soberania é uma via de mão dupla com todos os parceiros dos EUA, incluindo o Brasil. Bloquear o acesso à informação e impor multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar pessoas que vivem nos Estados Unidos é incompatível com valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão”, diz mensagem publicada no X e replicada pela embaixada americana no Brasil.
Além disso, o Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou um projeto de lei que pode impedir Moraes de entrar no país.
Denominada como “No Censors on our Shores Act” (Sem Censura em Nossas Costas), a medida pretende proibir a entrada em território americano de autoridades estrangeiras que “violem os direitos dos americanos” garantidos pela Primeira Emenda.