Conservadores vencem na Alemanha; AfD fica em 2º
Partido da direita radical Alternativa para a Alemanha (AfD) alcançou 19,5%, praticamente dobrando o resultado de 2021
Pesquisas de boca de urna apontam a vitória do conservador Friedrich Merz, da União Democrática-Cristã (CDU), na eleição parlamentar da Alemanha neste domingo, 23.
Merz, de direita, teria obtido 28,5% dos votos, segundo projeções, enquanto o partido da direita radical Alternativa para a Alemanha (AfD) alcançou 19,5%, praticamente dobrando o resultado de 2021.
Com presença robusta no Bundestag, a AfD confirma a onda populista que se espalha por outros países da União Europeia, como Hungria e Áustria.
Merz, de 69 anos, deve ser indicado para o cargo de chanceler, mas precisará negociar uma coalizão de governo. Seu plano inicial era retomar a chamada Grande Coalizão com o Partido Social-Democrata (SPD), de Olaf Scholz, que governou o país em diversos momentos do pós-guerra.
No entanto, o SPD registrou seu pior desempenho desde 1949, com 16% dos votos. Scholz admitiu a derrota e classificou o resultado como “amargo”.
Nas últimas semanas, Merz amenizou o tom contra Scholz, já prevendo negociações complexas.
Em 2021, a formação da coalizão de Scholz levou dois meses. Caso precise incluir os Verdes, que tiveram 13,5% dos votos, os desafios aumentarão. Divergências em temas como energia nuclear e legislação ambiental podem dificultar o acordo.
A aliança também dependerá do desempenho do Partido Liberal Democrático (FDP), que ficou com 4,9%, abaixo da cláusula de barreira de 5% exigida para representação no Parlamento.
A eleição também marcou o crescimento do partido A Esquerda (Die Linke), que atingiu 8,5% dos votos. Especialistas atribuem o avanço ao uso estratégico das redes sociais e à defesa do chamado Brandmauer (firewall), que busca isolar a AfD do campo democrático.
Merz, advogado corporativo e ex-executivo do fundo de investimentos BlackRock, fez carreira política nos anos 1990, mas se afastou em 2009 após desentendimentos com Angela Merkel, que liderou o país entre 2005 e 2021. Seu retorno à política ocorreu em 2018, quando Merkel iniciou a transição para sua aposentadoria.
As eleições foram antecipadas em sete meses, após o colapso da coalizão de Scholz em novembro, em meio a impasses sobre a reforma do “travão da dívida” para enfrentar a recessão econômica que assola a Alemanha há dois anos. Cerca de 59,2 milhões de eleitores foram às urnas para escolher os 630 deputados do Bundestag.
A distribuição de cadeiras no Parlamento será definida nos próximos dias, devido ao sistema eleitoral alemão. Cada eleitor tem dois votos: um para candidatos em 299 distritos e outro para listas partidárias. Uma reforma eleitoral aprovada em 2023 condiciona o voto direto ao desempenho do partido na lista, fortalecendo o papel das legendas.
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