Silvio Almeida é intimado a depor por importunação sexual
A investigação teve início em setembro do ano passado, após a divulgação de denúncias de assédio sexual e moral envolvendo o ex-ministro
O ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, foi convocado a prestar depoimento no inquérito que investiga suspeitas de importunação sexual. O depoimento ocorrerá na próxima terça-feira, na sede da Polícia Federal em São Paulo. Almeida, por sua vez, continua refutando as denúncias feitas contra ele.
Na última segunda-feira, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu estender o prazo da investigação por mais 60 dias. O processo segue sob sigilo, com tramitação exclusiva na Corte.
A investigação teve início em setembro do ano passado, após a divulgação de denúncias de assédio sexual e moral envolvendo Almeida. O ex-ministro foi demitido pelo presidente Lula, depois que o caso foi exposto pela imprensa.
As acusações já eram do conhecimento de diversos membros do governo, incluindo a primeira-dama Janja e outros ministros, desde meses antes de sua demissão.
Assédio moral no Ministério ?
Como mostrou O Antagonista, após denúncias de supostos casos de assédio sexual envolvendo Almeida, servidores da pasta foram coagidos a assinar um manifesto em defesa do auxiliar palaciano. Segundo apuração, não somente o ministro teria assediado moralmente alguns servidores como também a sua chefe de gabinete, Marina Basso Lacerda, e a secretária executiva Rita Cristina de Oliveira.
No manifesto, compartilhado em um grupo de WhatsApp de servidores do ministério chamado “Povo dos DH” há o seguinte apelo em prol do ministro dos direitos humanos.
“Olá gente querida. Desculpe escrever essa hora. É que o racismo de indivíduos maliciosos e instituições midiáticas não nos deixam descansar justa e pacificamente. Imagino que alguns e algumas de vocês viram a matéria publicada, irresponsavelmente, pelo Uol, fazendo ilações a respeito do ministro Silvio que, nem de longe, correspondem a realidade”, escreveu um assessor cuja identidade vamos preservar.
‘Constrangemento aparente’
Ele continuou pedindo assinaturas em apoio ao ministro. “Contra mentiras e ofensas a gente se organiza e restabelece a verdade. Se você se sentiu ofendido e também quer demonstrar solidariedade ao ministro Silvio Almeida, bora de assinatura”.
Segundo informações do Diário Oficial, dos 27 desligamentos ocorridos em 2024, 18 foram a pedido dos próprios servidores.
As saídas no primeiro semestre incluem a de duas diretoras, cinco coordenadoras-gerais e 16 coordenadores, indicando uma alta rotatividade de cargos de liderança. Entre os desligamentos, seis funcionários não completaram sequer seis meses na equipe, enquanto outros oito permaneceram menos de um ano. O cenário reflete um ambiente de instabilidade e insegurança, segundo fontes ligadas ao órgão.
A reportagem de O Antagonista solicitou respostas por parte do ministério dos Direitos Humanos. Mas até o fechamento desta reportagem, não havia obtido retorno. O espaço continua aberto.
Veja também: Após denúncias, servidores são coagidos a assinar manifesto em defesa de Almeida
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Comentários (1)
Fabio B
21.02.2025 17:51Eu aposto que ele vai alegar na defesa que as acusações são racismo.