Bolsonaro “entrou num luto profundo” após derrota eleitoral, disse Mauro Cid
"Nesse período todo, ele praticamente acabou com as agendas oficiais, algumas que eram importantes", contou o militar à PF
Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, disse em depoimento de colaboração premiada que o então presidente tinha certeza que ia ganhar as eleições de 2022, mas que, “depois do dia 30 de outubro”, com a derrota consumada, “ele entrou num luto, não vou dizer depressão, mas um luto muito profundo”.
“Tanto que a imunidade dele baixou, ele pegou uma erizipela, praticamente a perna dele, parece que é caída, era quase que um osso. Então ele ficou muito mal. Então nesse período todo ele praticamente acabou com as agendas oficiais, algumas que eram importantes. Ou pessoas que ele chamava pra conversar dentro dos interesses que ele tinha”, contou Cid, referindo-se a um “período todo” de “oito semanas que eu cataloguei”.
Os conselheiros de Bolsonaro
À Polícia Federal, ele afirmou que três grupos com linhas “editoriais” diferentes aconselhavam Bolsonaro.
O primeiro, mais conservador, pedia que o ex-presidente assumisse de imediato a posição de opositor ao governo Lula para não deixar o PT “destruir o país”.
O segundo, o qual Cid chamou de “moderados”, era formado por generais da ativa que não concordavam com o caminho que o país estava seguindo e era contra qualquer ideia de golpe.
“Havia um outro grupo de moderados que entendia que o ex-presidente deveria sair do país. ‘É sai daqui, vai descansar, passa os meses fora no Estados Unidos, refresca a cabeça, lá o senhor está cheio de apoiador, aí depois o senhor volta’”, disse o tenente-coronel à PF.
O terceiro, classificado como “radical”, tinha duas linhas de atuação: uma que buscava encontrar fraudes na votação e outra que defendia um golpe de Estado.
Moraes derruba sigilo de delação de Mauro Cid
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou na quarta-feira, 19, o sigilo do acordo de delação premiada firmado com Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2023.
Segundo o ministro, a manutenção do sigilo do acordo de delação “não mais se justifica na preservação ao interesse público, pois não é mais necessária, nem para preservar os direitos assegurados ao colaborador, nem para garantir o êxito das investigações”.
A delação premiada de Cid é considerada peça fundamental nas investigações sobre a trama golpista, além de informações sobre supostas fraudes no cartão de vacinas e desvio de joias enviadas à Presidência da República.
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Comentários (1)
Fabio B
21.02.2025 13:38Entrou num "luto profundo" leia-se ficou chorando e soluçando pelos cantos feito uma moça e dormindo somente a base de remédios.