Líder da Frente Evangélica quer anisita sem Bolsonaro
"Eu defendo que eles [Bolsonaro e generais] respondam o processo e que a gente fique sabendo se houve realmente um tipo de tentativa. A gente tem que confiar na PGR e no Supremo", afirmou senador
Carlos Viana (Podemos-MG), líder da Frente Parlamentar Evangélica no Senado, defendeu a anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. No entanto, ele sustenta que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) devem ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A posição de Viana contrasta com a de parlamentares bolsonaristas, que veem na anistia uma chance de viabilizar a candidatura de Bolsonaro em 2026.
“Eu defendo que eles respondam o processo e que a gente fique sabendo se houve realmente um tipo de tentativa. A gente tem que confiar na PGR e no Supremo. Gente que nunca teve passagem pela polícia e foram chamados para cá, foram essas pessoas que a PGR denunciou que chamaram essas pessoas para cá? Então eles têm que responder com isso, mas gente que não foi pega aqui quebrando não tem por que estar presa até hoje por isso”, afirmou Viana.
Segundo a PGR, Bolsonaro é acusado de cinco crimes: dano qualificado com uso de violência e grave ameaça, deterioração do patrimônio tombado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa. As penas, somadas, podem ultrapassar 43 anos de prisão. A denúncia também aponta que Bolsonaro liderava uma organização com projeto autoritário de poder e influência militar. O ex-ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, apontado como um dos comandantes do esquema, encontra-se em prisão preventiva.
Carlos Viana foi reeleito presidente da Frente Parlamentar Evangélica do Senado, grupo composto por 26 dos 81 senadores, com mandato até 2026. Entre as prioridades da bancada está a cobrança para que a Câmara avance na análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das Drogas, que criminaliza o porte de qualquer quantidade de entorpecentes.
Resposta ao Supremo
A proposta surgiu como resposta à decisão do STF que, em junho de 2024, descriminalizou o porte de maconha para uso pessoal. Embora aprovada pelo Senado em abril, a PEC está parada na Câmara, aguardando a instalação de uma comissão especial. De acordo com Viana, o novo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi pressionado a acelerar a tramitação. “Nós esperamos que a Câmara referende, que não haja brecha para que o STF venha dizer qual a quantidade de droga que a pessoa pode portar”, disse Viana.
Em relação à PEC do Aborto, que pode eliminar as hipóteses legais de interrupção da gestação no Brasil, Viana afirmou que o Senado deve rejeitar a proposta, apesar da aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara em novembro. “Em conjunto com a liderança do governo, nós já temos isso pacificado. O Senado é uma casa mais madura para discutir assuntos que são de interesse da população brasileira. Assuntos que são muito polêmicos e que não têm um consenso, no Senado não avançam”, declarou.
Governo Lula e evangélicos
Viana também atribuiu a queda da popularidade do governo Lula entre os evangélicos ao posicionamento do Planalto em temas sensíveis, como o aborto. Para ele, o governo tem dificuldades em dialogar com o segmento religioso. “O governo Lula tem muitos intelectuais, mas que não entendem o povo evangélico. Entre nós evangélicos, a prosperidade vem de Deus, não vem de ajuda de governo. Tentar conquistar os evangélicos por meio de Bolsa Família não dá certo”, afirmou Viana.
Pesquisa do Datafolha, divulgada em 14 de fevereiro de 2025, apontou que a aprovação de Lula entre os evangélicos caiu de 28% para 21% em dois meses. O levantamento ouviu 2.007 eleitores em 113 municípios brasileiros, com margem de erro de três pontos percentuais.
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Comentários (1)
Ariadne
20.02.2025 22:31Não era petista?