Cid: Bolsonaro pediu monitoramento de Moraes; tenente ‘não tinha noção’ sobre ‘sequestro’
A fala está nos depoimentos prestados por Cid ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria Geral da República.
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, afirmou em delação premiada que o ex-presidente da República pediu o monitoramento dos passos do ministro Alexandre de Moraes, do STF, mas declarou que “não tinha noção” que uma eventual ordem fizesse parte de um plano para neutralizar o integrante da Suprema Corte.
A fala está nos depoimentos prestados por Cid ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria Geral da República.
“A informação seria que o senhor [Alexandre de Moraes] iria se encontrar ou com o general [Hamilton] Mourão [então vice-presidente], ou alguém do governo dele. O presidente estava meio nervoso com isso aí. Então, ele queria saber. Essa foi a informação que eu recebi”, disse o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro.
“E mais uma vez eu usei o coronel [Marcelo] Câmara [um dos ajudantes de ordens de Jair Bolsonaro], eu pedi ao coronel Câmara para tentar colher essa informação. Eu não sei detalhar outros nomes para baixo, outras pessoas que participaram dessa operação, se houve militares envolvidos, nem codinomes. Eu não participei do planejamento, não sabia do objetivo”, acrescentou ele.
Cid e a ameaça de prisão
Como mostramos mais cedo, Alexandre de Moraes ameaçou prender Mauro Cid e dar continuidade à investigação e à responsabilização de seus familiares, caso o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro omitisse informações em sua colaboração premiada, como a Polícia Federal suspeitava e informava ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que estava acontecendo.
Em audiência realizada em 21 de novembro de 2024, Moraes cobrou uma “reflexão maior” de Cid e seus advogados “para que esclareçam omissões, contradições na sua colaboração, sob pena não só da decretação de prisão, como também da cessação e consequente rescisão da colaboração; e eventual rescisão englobará, inclusive, a continuidade das investigações e responsabilização do pai do investigado, de sua esposa e de sua filha maior”.
Em seguida, o ministro perguntou: “Eu gostaria de saber se o colaborador está plenamente ciente das consequências da manutenção dessas omissões e contradições.”
Cid respondeu:
“Sim, senhor.”
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Comentários (1)
Amaury G Feitosa
20.02.2025 16:27Estive onze anos no Exército fui paraquedista algo difícil e honroso por primeiros defensores da pátria, convivi com os FE Forças Especiais que hoje chamam pejorativamente de Kids Pretos e nunca entendi como um elemento sem caráter como este TC CID passou por aquela escola de dignidade, coragem e decência e nada entendeu ou aprendeu, vá ver o conceito de dignidade mudou radicalmente nestes tantos anos ... que vergonha.