Em delação, Cid diz que gastos de motociatas foram bancados com cartão corporativo
Em determinado trecho, o tenente-coronel afirmou que foi necessário comprar uma moto para acompanhar o então presidente da República
Em sua delação premiada, o tenente-coronel Mauro Cid afirmou que as motociatas realizadas ao longo da gestão Jair Bolsonaro tiveram parte de seus gastos operacionais custeados com o cartão corporativo do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
“Perguntado como funcionava o financiamento de ‘motociatas’ o COLABORADOR [Mauro Cid] respondeu que a partir do momento que o ex-presidente JAIR BOLSONARO decidiu andar de moto, o GSI teve de comprar motos similares a do ex-presidente para poder acompanhá-lo”, descreve o termo de depoimento da delação de Cid à Polícia Federal.
“Em todas [as] aparições públicas do presidente, seja em ‘motociatas’ ou outros eventos, os gastos operacionais de hospedagem, alimentação e segurança eram gastos, salvo engano, com o cartão corporativo do GSI”, informou Cid em outro trecho da delação.
No acordo de delação premiada tornado público nesta quarta-feira, 19, pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) também citou uma desconfiança que o ex-presidente tinha sobre o então vice-presidente Hamilton Mourão.
Segundo a delação, Bolsonaro teria determinado o monitoramento de Moraes por suspeitar de encontro com Mourão.
“Um dos motivos foi o fato de que o então presidente havia recebido uma informação de que o general Mourão estaria se encontrando com o ministro Alexandre de Moraes em São Paulo. Que foi uma maneira de verificar se essa informação era verdadeira ou não“, diz trecho da delação de Cid.
Trechos da delação
Em 2023, Moraes aceitou a delação premiada de Cid, considerada peça fundamental nas investigações sobre a trama golpista, além de informações sobre supostas fraudes no cartão de vacinas e desvio de joias enviadas à Presidência da República.
Em um dos trechos que embasou a denúncia do Procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, Cid teria revelado que Bolsonaro dava esperança de que algo fosse acontecer para as Forças Armadas concretizarem um golpe de Estado após as eleições de 2022.
“O então Presidente sempre dava esperanças que algo fosse acontecer para convencer as Forças Armadas a concretizarem o golpe. O colaborador inclusive afirma que esse foi um dos
motivos pelos quais o então Presidente Jair Bolsonaro não desmobilizou as pessoas que ficavam na frente dos quarteis. Em relação a isso, o colaborador também se recorda que os Comandantes das Três Forças assinaram uma nota autorizando a manutenção da permanência das pessoas
na frente dos quarteis por ordem do então Presidente Jair Bolsonaro”, diz trecho da delação.
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Comentários (2)
Fabio B
19.02.2025 16:22Nem o Lula teria tanta audácia de abusar do cartão corporativo como o Bolsonaro e usar pra fazer campanha. No entanto a Janja, não dúvido que faria pior...
Marcia Elizabeth Brunetti
19.02.2025 16:14SE alguém estava com saudades do governo Bolsonaro, vale a pena ver (ler) de novo!