Marco Temporal expõe ‘climão’ entre deputadas indígenas
Hugo Motta indica Silvia Waiãpi para a Comissão de Conciliação do Marco Temporal no STF, gera desconforto no PSOL e faz mais um aceno à oposição
A deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG) reagiu à decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta, de conceder assento a Sílvia Waiãpi (PL-AP) na Comissão que discute o Marco Temporal no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em um vídeo publicado nas redes sociais, a deputada do PSOL afirmou ter sido impedida de integrar a Comissão a partir da entrada da parlamentar bolsonarista. “Absurdo: fui impedida de sentar na mesa do STF sobre o marco temporal”, publicou.
Em entrevista a O Antagonista, Waiãpi criticou a postura da colega e disse que a posição ocupada no colegiado, apesar do aval do presidente da Câmara, depende da decisão dos partidos, que indicam suplentes e titulares.
Assim, a entrada da parlamentar que integra a ala bolsonarita do Congresso não teria implicado na saída da psolista. “A deputada Célia Xakriabá não foi impedida de sentar à mesa de conciliação, e sim continua designada como suplente na Comissão de Conciliação sobre o Marco Temporal na Suprema Corte”, afirmou a deputada do PL.
Waiãpi reforçou que a indicação feita por Hugo Motta não exclui a participação de Xakriabá. “Ela tem que reclamar com o Psol. Se foi uma decisão política, ela deve questionar o partido (PSOL) que a manteve como suplente da Comissão desde a criação até os dias atuais”, afirmou.
‘Uga-Uga‘
Xakriabá, apesar de afirmar que se referiu a Sílvia Waiãpi com respeito, fez menção à passagem da deputada do PL pela dramaturgia. Ela se referiu ao trabalho na Comissão como exaustivo, afirmou que teve 80% de presença quando ocupou a vaga na comissão e participou da elaboração de um relatório de 1.000 páginas. “Aqui não é roteiro de novela Uga-Uga“, acrescentou.
“Com esse questionamento, a referida deputada me considera intelectualmente inferior e incapaz de compor a Comissão?”, rebateu Waiãpi.
‘Estratégia colonial’ ?
Para Xakiabrá, o Congresso Nacional usa a posição de Waiãpi em favor do Marco Temporal como uma “velha arma colonial de estratégia”, que usa os povos indígenas para “violentar um ao outro.”
“Isso é mais um jeito colonial, patriarcal, violento e anticivilizatório. Digo que é violento e colonial porque a senhora [Sílvia Waiãpi] é a única pessoa que vota publicamente a favor do Marco Temporal. Essa é uma estratégia, pois poderiam colocar qualquer um, mas o Congresso Nacional escolheu a senhora. Quis usar a senhora, uma figura simbólica de mulher indígena, para contrapor um voto de violência”, afirmou Célia Xakriabá durante reunião do colegiado.
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