Presidente da Romênia renuncia após crise
Klaus Iohannis deixa o cargo em meio a impasse político e acusações de interferência nas eleições
O presidente da Romênia, Klaus Iohannis, anunciou nesta segunda, 10, sua renúncia ao cargo, alegando ser a única saída para conter a crise institucional que domina o país desde a anulação do resultado das últimas eleições presidenciais. Em um pronunciamento emocionado, ele afirmou que deixará a presidência no dia 12 de fevereiro.
A crise se intensificou em dezembro, quando a Corte Constitucional anulou o primeiro turno das eleições presidenciais após acusações de interferência estrangeira e irregularidades no processo eleitoral.
O resultado favorecia o candidato de direita Calin Georgescu, ligado a grupos nacionalistas e acusado de receber apoio indireto de redes russas de desinformação.
Diversos partidos da oposição, incluindo a Aliança para a Unidade dos Romenos (AUR) e o nacionalista Partido S.O.S, lideraram uma campanha no Parlamento pedindo a destituição de Iohannis. Parlamentares do partido governista também indicaram apoio à moção, o que aumentou a pressão sobre o presidente.
“Essa decisão não tem base legal, nunca violei a Constituição”, defendeu-se Iohannis durante o discurso. “Mas decidi renunciar para evitar um prolongamento desta crise, que pode ter consequências desastrosas para nossa estabilidade interna e nossa credibilidade internacional.”
Iohannis, de 65 anos, foi eleito presidente pela primeira vez em 2014 e conquistou a reeleição em 2019. Sua gestão foi marcada por um posicionamento pró-Ocidente, com a manutenção de laços estreitos com a União Europeia e a OTAN. No entanto, seu governo também enfrentou críticas internas pela suposta lentidão em reformas e pela polarização política crescente.
Os protestos que tomaram as ruas de Bucareste após o anúncio da renúncia refletem a divisão no país. Manifestantes favoráveis a Georgescu entraram em confronto com a polícia em frente ao prédio do governo, exigindo sua participação nas novas eleições.
Já setores de esquerda, liderados por Elena Lasconi, candidata do partido progressista USR, criticaram a renúncia tardia. “Isso não apaga o dano já causado. Precisamos agora de um verdadeiro líder que garanta nosso alinhamento com o Ocidente”, declarou Lasconi.
As novas eleições foram marcadas para 4 de maio, com um possível segundo turno em 18 de maio. O futuro político da Romênia agora depende de quem ocupará a lacuna deixada por Iohannis e se as divisões internas poderão ser superadas.
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