Motta: Não posso dizer que não vou pautar anista
Presidente da Câmara não acha que 8 de janeiro foi tentativa de golpe de Estado
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), se pronunciou nesta sexta-feira (7) sobre os ataques ocorridos em 8 de janeiro, afirmando que, embora tenham sido graves, não podem ser classificados como uma tentativa de golpe de Estado.
Durante entrevista a uma rádio da Paraíba, onde cumpre agenda, Motta foi perguntado sobre o projeto de lei que prevê anistia aos envolvidos nos ataques.
“O que aconteceu não pode ser admitido que aconteça novamente. Foi uma agressão às instituições, uma agressão inimaginável, ninguém imaginava que aquilo pudesse acontecer”, declarou.
Anistia
O deputado, que recentemente foi eleito presidente da Câmara com 444 votos, e recebeu apoio de uma coalizão de partidos que vai do PT ao PL, respondeu sobre o projeto de anistia aos envolidos nos ataques aos prédios públicos.
“Não posso dizer que vou pautar semana que vem ou que não vou pautar de jeito nenhum. É um tema que estamos digerindo, conversando, porque o diálogo tem que ser constante. Todos que me apoiaram sabiam que eu tinha apoio dos dois [PL e PT]. Não se pode exigir que eu ‘desbalanceie’ a minha atuação, porque não posso ser incorreto com ninguém. Me cabe ser correto com todos e conduzir a Casa com isenção”, afirmou.
Não teve golpe
E acrescentou: “Agora querer dizer que foi um golpe. Golpe tem que ter um líder, tem que ter pessoa estimulando, apoio de outras instituições interessadas, como as Forças Armadas, e não teve isso”, explicou Motta.
Para ele, o que ocorreu no 8 de janeiro foram atos de vandalismo, motivados pela frustração com o resultado das eleições.
“Ali foram vândalos, baderneiros que queriam, com a inconformidade com o resultado da eleição, demonstrar sua revolta. Achando que aquilo poderia resolver talvez o não prosseguimento do mandato do presidente Lula. E o Brasil foi muito feliz na resposta, as instituições se posicionaram de maneira muito firme”, afirmou o parlamentar.
Penalidades
Motta também fez críticas ao que considera desequilíbrio nas penas impostas aos condenados pelos atos golpistas, sem citar diretamente o STF. Para ele, a punição deve ser justa, sem excessos.
“Não pode penalizar uma senhora que passou ali na frente do palácio, não fez nada, não jogou uma pedra e receber 17 anos de pena para regime fechado. Há um certo desequilíbrio nisso. Nós temos que punir as pessoas que foram lá, quebraram, depredaram. Essas sim precisam ser punidas. Entendo que não dá para exagerar no sentido das penalidades com quem não cometeu atos de tanta gravidade”, disse.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)