Crusoé: o atraso na regulamentação da portabilidade do vale-refeição
Vista pelo governo Lula como uma bala de prata para reduzir o preço dos alimentos, medida deveria estar em vigor desde 2023
Vista pelo governo Lula como uma espécie de bala de prata para reduzir o custo da alimentação do trabalhador, a possibilidade de portabilidade no uso do vale-refeição já deveria estar em vigor desde agosto de 2023.
Um decreto do governo Lula – editado há aproximadamente dois anos [decreto Nº 11.678, de 30 de agosto de 2023] – estabeleceu as principais regras para a flexibilização do uso do vale-refeição, mas incumbiu o Conselho Monetário Nacional (CMN) a estabelecer as diretrizes para que a portabilidade fosse colocada em prática.
Desde então, conforme apurou O Antagonista, o governo Lula nunca colocou o assunto como prioridade. Não somente pela agenda tribulada da União como também porque o governo federal não queria mexer em um mercado que, até hoje, é dominado por quatro empresas: Alelo, Pluxee (antiga Sodexo), VR e Ticket. As quatro dominam hoje aproximadamente 90% do mercado de vale-refeição em todo o país. Os outros 10% são divididos por pelo menos 100 empresas, conforme apurou este site junto a executivos que operam o benefício no país.
Quais seriam os impactos na mudança do vale-refeição?
Com a mudança no vale-refeição, o governo Lula espera reduzir o valor pago pelo trabalhador. Mesmo assim, a medida tem efeito limitado segundo o setor. Por um lado, há uma tendência a que o trabalhador arque com um valor menor das taxas das operadoras, o que pode impactar no preço final; por outro, com a diminuição do número de trabalhadores com carteira assinada, hoje esse benefício atinge em torno de 20 milhões de brasileiros. Metade do número de trabalhadores autônomos – 40 milhões – que foram impactados pela crise do Pix e que não recebem esse tipo de benefício.
“Se você barateia a intermediação, você pode ter um efeito favorável no preço dos alimentos. A regulação da portabilidade do PAT, na minha opinião, é algo que pode funcionar bem no curto prazo. Você empoderar o trabalhador naquilo que é direito dele, de buscar a melhor transação possível para fazer valer o seu poder de compra”, defendeu o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista coletiva na semana passada.
Leia a reportagem completa neste link, assine a Crusoé e apoie o jornalismo independente
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)