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2018, o ano da onda Bolsonaro

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 31.12.2018 14:00 comentários
Brasil

2018, o ano da onda Bolsonaro

Jair Bolsonaro iniciou o ano como uma espécie de curiosidade eleitoral: já liderava as pesquisas de intenção de voto nos cenários sem a candidatura de Lula, mas, à exceção dos seus seguidores mais aguerridos, pouca gente acreditava que pudesse manter e até expandir sua liderança. Com poucos recursos, apoiando-se ostensivamente no uso de redes sociais e no engajamento dos simpatizantes, apresentou um discurso claro de intransigência com a corrupção e as velhas prática políticas e de combate incessante à violência...

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 31.12.2018 14:00 comentários 0
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Jair Bolsonaro iniciou o ano como uma espécie de curiosidade eleitoral: já liderava as pesquisas de intenção de voto nos cenários sem a candidatura de Lula, mas, à exceção dos seus seguidores mais aguerridos, pouca gente acreditava que pudesse manter e até expandir sua liderança.

Com poucos recursos, apoiando-se ostensivamente no uso de redes sociais e no engajamento dos simpatizantes, apresentou um discurso claro de intransigência com a corrupção e as velhas prática políticas e de combate incessante à criminalidade que apavora a população brasileira e ceifa milhares de vidas por ano; como nenhum outro candidato, atacou a podridão de Lula e seus partidários e, assim, encarnou o antipetismo.

O acordo com o PSL, que possibilitaria concorrer à Presidência, veio logo nos primeiros dias do ano; antes, chegou a negociar com o Patriota (ex-PEN) e o PSC.

Em fevereiro, ainda na condição de pré-candidato, Bolsonaro concedeu uma entrevista exclusiva a O Antagonista em que declarou: “O povo está comigo!” (e estava mesmo).

Fechada a adesão ao PSL, Bolsonaro começou a negociar alianças com outras legendas: só conseguiu o apoio do nanico PRTB, partido do seu vice, o general Hamilton Mourão.

O resultado do fracasso em atrair mais aliados: apenas 9 segundos na propaganda eleitoral de rádio e TV — mas o resultado das eleições revelaria que isso não foi um problema.

O lançamento oficial da candidatura aconteceu no dia 22 de julho, durante a convenção do PSL.

No dia 6 de setembro, o atentado ao candidato do PSL chocou o país: no meio da multidão em Juiz de Fora, Adélio Bispo de Oliveira desferiu uma facada no abdômen do líder das pesquisas e quase o matou.

O atentado tirou Bolsonaro dos debates e das ruas, mas não da liderança da disputa.

Além da facada, Bolsonaro viria sofrer sucessivos ataques dos adversários. Nunca antes na história deste país houve um candidato tão vilipendiado.

Foi chamado de “fascista” e “anti-ser humano”, por Haddad, e “projetinho de Hitler tropical”, por Ciro; Marina Silva disse que ele era um “risco à democracia”, ecoando todos os jornais tradicionais.

Proibido pelos médicos de fazer campanha nas ruas ou ir a debates, Bolsonaro seguiu falando com o eleitorado pelas redes sociais.

Deu certo. A internet suplantou a TV — e a sua força deverá aumentar ainda mais nas campanhas futuras.

Com 55 milhões de votos, Bolsonaro foi eleito presidente.

A “onda” elegeu também uma expressiva bancada no Congresso e 12 governadores de estado alinhados.

No discurso da vitória, o presidente eleito desceu do palanque e prometeu  “unir o Brasil”. Agora existe um Bolsonaro de Facebook, mais radical, e outro institucional, mais pacífico.

Logo após a eleição, deixou claro de que estava disposto a cumprir a promessa de combater a corrupção e a criminalidade, convidando o juiz Sergio Moro para ocupar o superministério da Justiça e Segurança Pública.

“Moro como juiz pescava de varinha. Como ministro, irá pescar com rede de arrastão”, explicou.

O presidente eleito construiu seu ministério apoiado basicamente em quatro pilares: a Justiça com Moro, a economia com o ultraliberal Paulo Guedes, a coordenação política, sob a batuta de Onyx Lorenzoni, e o núcleo militar, que comandará áreas como infraestrutura e também terá papel nas negociações com o Congresso. Nesse último, Augusto Heleno terá papel central.

A composição dos ministérios também mostrou alguns limites de Bolsonaro: apesar de prometer que seu governo teria no máximo 15 ministérios, ele acabou fechando em 22.

No apagar das luzes do ano, teve de enfrentar um desgaste em família.

O Coaf identificou uma movimentação “atípica” de R$ 1,2 milhão na conta do policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do deputado Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito.

Uma das transações revelou o depósito de um cheque no valor de R$ 24 mil na conta da futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Em entrevista a O Antagonista, Bolsonaro declarou que o cheque foi pagamento de uma dívida.

O caso ainda não foi totalmente esclarecido.

O assunto é apenas um dos desafios que ele terá em 2019. 

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