PF indicia mais três militares em inquérito sobre golpe
Três militares são novos indiciados pela Polícia Federal (PF) em inquérito sobre tentativa de golpe de Estado
A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quarta-feira, 11, mais três pessoas no inquérito que apura uma tentativa de golpe de Estado no Brasil, em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece como um dos integrantes.
Os indiciados, todos militares, são: Aparecido Andrade Portela, suplente da senadora Teresa Cristina (PL), Reginaldo Vieira de Abreu e Rodrigo Bezerra de Azevedo.
Ao todo, a PF já indiciou 40 pessoas.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) analisará o documento de 884 páginas produzido pela PF para decidir se apresentará ou não denúncia contra cada um dos 40 indiciados.
Aparecido Andrade Portela
Segundo a PF, Aparecido Andrade Portela é apontado como um dos intermediários entre o governo Bolsonaro e financiadores dos protestos considerados antidemocráticos.
A investigação aponta que Aparecido esteve no Palácio da Alvorada, residência oficial do Presidente da República, pelo menos 13 vezes no mês de dezembro de 2022. Bolsonaro e Portella serviram juntos em Nioaque, no Mato Grosso do Sul, no período em que o ex-presidente estava na ativa pelo Exército.
A PF afirma que Portela conversava com o tenente-coronel Mauro Cid, outro indiciado no inquérito, sobre cobranças recebidas de supostos financiadores para uma “ruptura institucional”. Segundo a polícia, Portela usava o condinome “churrasco” em mensagens trocadas com Cid para se referir ao plano de golpe.
De acordo com a investigação, Portela sugeriu estratégias para o movimento de golpe e tinha receio de não ser identificado como o organizador dos atos.
Coronel Reginaldo Vieira
Já Reginaldo Vieira de Abreu, coronel do Exército e chefe de gabinete do então secretário-executivo da Secretaira-Geral da Presidência, Mário Fernandes, é apontado pela PF de divulgar desinformação sobre o sistema eleitoral brasileiro.
Segundo a investigação, Vieira levou um hacker à sede da PF, em Brasília, como tentativa de formalizar denúncias sobre as urnas eletrônicas.
A PF aponta que o coronel manipulou documentos das Forças Armadas para ficar semelhante ao relatório divulgado pelo argentino Fernando Cerimedo. Ele utilizava o termo “rataria” – como já mostramos – em referência aos participantes das reuniões clandestinas.
A investigação indica que Vieira passou informações sobre o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em deslocamentos por Brasília. Segundo a PF, Vieira tirou uma foto de Gilmar no voo em que também estava.
Rodrigo Bezerra de Azevedo
Major do Exército, Bezerra é apontado como integrante do núcleo do plano de tentativa de assassinato do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (PF).
Segundo a PF, o condinome “Brasil” foi utilizado para associá-lo a um número de telefone alternativo para conversar sobre as ações.
De acordo com a investigação, Bezerra teria aberto contas bancárias de maneira fraudulenta. Um dos números estava cadastrado na conta do general Mário Fernandes.
Leia mais: “Como Bolsonaro alimentou a “Rataria” – uma cronologia dos fatos”
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