PT faz operação coordenada para pressionar Copom a baixar juros
Partido investe contra Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, em várias frentes, de discursos parlamentares a ações judiciais
O PT desencadeou desde a última segunda-feira, 17, uma operação coordenada para pressionar o Comitê de Política Monetária (Copom) a reduzir a taxa básica de juros, hoje de 10,5%.
A ofensiva da sigla contra Roberto Campos Neto começou na segunda-feira. A ideia do partido é criar um ambiente de constrangimento ao presidente do Banco Central, alçado à condição de inimigo-geral da sigla após ele ter participado de um jantar ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Além de discursos, o PT vai ingressar com uma ação na Justiça Federal obrigando o executivo a permanecer em silêncio em atos públicos.
Na segunda, o partido divulgou uma carta com críticas pesadas a Roberto Campos Neto. A sigla classificou a atual política de juros como uma “sabotagem ao crédito” movida por uma “direção bolsonarista do BC”.
Quais foram as críticas do PT a Roberto Campos Neto?
O partido também voltou a criticar a PEC que tramita no Senado e amplia a autonomia do BC, transformando-o em empresa pública com autonomia financeira e orçamentária.
“A escancarada sabotagem ao crédito, ao investimento e às contas públicas, movida pela direção bolsonarista do Banco Central com a manutenção da maior taxa de juros do planeta, soma-se à feroz resistência de setores privilegiados diante das necessárias e inadiáveis propostas, encaminhadas ao Congresso Nacional pelo ministro Fernando Haddad, para a correção de um conjunto de desonerações tributárias, muitas injustas e injustificáveis”, disse o partido.
Nesta terça-feira, 18, foi a vez de Lula e das lideranças do PT, tanto na Câmara quanto no Senado dispararem críticas a Roberto Campos Neto.
Em entrevista à CBN, Lula disse que o presidente do BC tem “lado político” e trabalha para “prejudicar o país”.
“Nós só temos uma coisa no Brasil desajustada nesse instante: o comportamento do Banco Central. Essa é uma coisa desajustada. Um presidente do Banco Central que não demonstra nenhuma capacidade de autonomia, que tem lado político e que, na minha opinião, trabalha muito mais para prejudicar do que para ajudar o país. Porque não tem explicação a taxa de juros do jeito que está”, disse Lula.
Ação coordenada na Câmara e Senado
Na Câmara e Senado, os líderes do partido, José Guimarães, e Jaques Wagner, respectivamente, criticaram publicamente a direção do Banco Central. “O presidente Lula e toda a torcida do Flamengo sabem que os juros estão altos”, disse Wagner pelas redes sociais, sobre a atuação de Campos Neto.
“Não era para o presidente do Banco Central transformar em agente político. Agora, ele resolveu ir para reuniões política e insinuar participar de pretensos candidatos em 2026. Isso é que gera instabilidade e insegurança jurídica e política no Brasil. Ainda bem que ele vai sair no final de dezembro”, disse Guimarães na noite desta terça, na tribuna do plenário da Câmara.
Outros parlamentares da sigla como Carlos Zarattini (SP), Bohn Gass (RS), Joseildo Ramos (BA), Rogério Correia (MG), Ana Paula Lima (SC), Helder Salomão (ES) e Merlong Solano (PI) também criticaram Roberto Campos Neto na tribuna.
Apesar da pressão do PT, a expectativa do mercado é que a taxa de juros de fato fique em 10,5%. E a decisão não cabe somente a Roberto Campos Neto.
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