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Arte: O Antagonista

Há uma diferença entre defender a Palestina e pedir assassinato de judeus

Aqui em O Antagonista você tem visto a extensa cobertura sobre manifestações antissemitas em universidades de elite nos Estados Unidos

Madeleine Lacsko

O título é óbvio de dar vergonha e tão necessário de dar angústia. A degradação da linguagem é um instrumento muito eficaz para a degradação da sociedade. Parece que estamos entrando de cabeça nisso.

Aqui em O Antagonista você tem visto a extensa cobertura sobre manifestações antissemitas em universidades de elite nos Estados Unidos. Tristemente, tais atos têm sido apelidados de “manifestação em defesa da Palestina”. Há um abismo entre as duas coisas.

Em Yale, estudantes que protestavam a favor do grupo terrorista Hamas impediram a entrada de estudantes judeus. Lembra um período que menos de cem anos atrás a humanidade esperava jamais repetir. Infelizmente, não é ato isolado.

O professor Shai Davidai, de Columbia, foi impedido de entrar. Judeu, ele teve suas credenciais de entrada no campus canceladas pelo staff da universidade. Foi logo depois que ele reclamou de manifestações a favor dos atos terroristas do Hamas em 7 de outubro.

A manifestação dos estudantes é clara. Você pode conferir o vídeo no Narrativas Antagonista de número 136. Os estudantes dizem que apóiam o Hamas e vão além, diz que amam o Hamas. Clamam pelo assassinato de mais soldados Israelenses. Chegam a dizer “burn down Telaviv”, pregando a destruição de uma cidade de mais de 400 mil pessoas. Podemos chamar isso de “manifestação pró-Palestina”? É evidente que não.

Hoje, no Congresso Nacional, houve uma audiência sobre a crise humanitária na Faixa de Gaza. Um indivíduo distribuía panfletos vestindo a camisa do Hamas.

O PCO tem insistido em defender o Hamas e glorificar os atentados de 7 de outubro. O presidente do partido chegou a se encontrar com Ismail Haniyeh, líder do grupo terrorista. Faz passeatas ostentando suásticas. Muitos tendem a ridicularizar e desprezar porque o partido é minúsculo e folclórico. É um erro.

Certas ideias são infecciosas. Quando nomeadas de forma errada, com eufemismos, tendem a se sedimentar na sociedade.

Uma dirigente do PCO postou uma foto dos paraglyders de terroristas que invadiram a festa Supernova e casas de civis em kibutzim em Israel. Legenda: “o céu da Palestina num glorioso dia de outubro”. Em tempos de ações duras contra “discurso de ódio”, isso passou batido. Não vimos as ações costumeiras de autoridades brasileiras. A conta acabou suspensa por violar termos da plataforma.

É uma prática insidiosa a confusão entre defesa da Palestina e declarações a favor de grupo terrorista e assassinato de judeus. Se normalizada, por que não estender a outros grupos também repudiados pelos terroristas, como mulheres independentes, homossexuais, cristãos?

A banalização da linguagem é a banalização do ato. O que nós, que não somos judeus, temos a ver com isso? Não vou nem entrar na questão moral. Deixo apenas uma pergunta: quando a alegada “defesa da Palestina” pregar a extinção do grupo a que você pertence, você ainda vai poder protestar ou não terá mais escolha?

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