Em carta, FHC diz que é preciso 'deter a marcha da insensatez'
o antagonista
Assine Entre

16.09.2026

logo-crusoe-new
Crusoé
  • Últimas Notícias
  • Brasil
  • Mundo
  • Economia
  • Lado oa!
    • Carros
    • Entretenimento
    • Esportes
    • Imóveis
    • Tecnologia
    • Turismo
    • Variedades
  • Colunistas
  • Newsletter
Pesquisar Menu
o antagonista X
  • Olá

    Fazer login Assine agora
  • Home

    Editorias

    Newsletter Colunistas Últimas Notícias Brasil Mundo Economia Esportes Crusoe
  • Mídias

    Vídeos Podcasts
  • Anuncie conosco Quem Somos Política de privacidade Termos de uso Política de cookies Política de Compliance Perguntas Frequentes

E siga O Antagonista nas redes

Menu Menu Menu
O Antagonista
Em carta, FHC diz que é preciso ‘deter a marcha da insensatez’
avatar
Redação O Antagonista
8 minutos de leitura 20.09.2018 19:02 comentários
Brasil

Em carta, FHC diz que é preciso ‘deter a marcha da insensatez’

Fernando Henrique Cardoso divulgou hoje uma carta "aos eleitores e eleitoras" em que faz uma análise do momento político brasileiro a menos de três semanas da eleição presidencial...

avatar
Redação O Antagonista
8 minutos de leitura 20.09.2018 19:02 comentários 0
Em carta, FHC diz que é preciso ‘deter a marcha da insensatez’
Durante a palestra Brasil, Qual Será o Seu Futuro?, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou não ser pessimista em relação ao país. Segundo ele, o Brasil tem um "potencial enorme"
  • Whastapp
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

Fernando Henrique Cardoso divulgou hoje uma carta “aos eleitores e eleitoras” em que faz uma análise do momento político brasileiro a menos de três semanas da eleição presidencial.

No longo texto, FHC diz que em poucas ocasiões viu “condições políticas e sociais tão desafiadoras quanto as atuais”. Cita a “fragmentação social e política” e os “desatinos de política econômica herdados pelo atual governo”. E diz que “ainda há tempo para deter a marcha da insensatez”.

Leia, abaixo, a íntegra:

“Carta aos eleitores e eleitoras
Fernando Henrique Cardoso

Em poucas semanas escolheremos os candidatos que passarão ao segundo turno. Em minha já longa vida recordo-me de poucos momentos tão decisivos para o futuro do Brasil em que as soluções dos grandes desafios dependeram do povo. Que hoje dependam, é mérito do próprio povo e de dirigentes políticos que lutaram contra o autoritarismo nas ruas e no Congresso e criaram as condições para a promulgação, há trinta anos, da Constituição que nos rege.

Em plena vigência do estado de direito nosso primeiro compromisso há de ser com a continuidade da democracia. Ganhe quem ganhar, o povo terá decidido soberanamente o vencedor e ponto final.

A democracia para mim é um valor pétreo. Mas ela não opera no vazio. Em poucas ocasiões vi condições políticas e sociais tão desafiadoras quanto as atuais. Fui ministro de um governo fruto de outro impeachment, processo sempre traumático. Na época, a inflação beirava 1000 por cento ao ano. O presidente Itamar Franco percebeu que a coesão política era essencial para enfrentar os problemas. Formou um ministério com políticos de vários partidos, incluída a oposição ao seu governo, tal era sua angústia com o possível despedaçamento do país. Com meu apoio e de muitas outras pessoas, lançou-se a estabilizar a economia. Criara as bases políticas para tanto.

Agora, a fragmentação social e política é maior ainda. Tanto porque as economias contemporâneas criam novas ocupações, mas destroem muitas outras, gerando angústia e medo do futuro, como porque as conexões entre as pessoas se multiplicaram. Ao lado das mídias tradicionais, as ‘mídias sociais’ permitem a cada pessoa participar diretamente da rede de informações (verdadeiras e falsas) que formam a opinião pública. Sem mídia livre não há democracia.

Mudanças bruscas de escolhas eleitorais são possíveis, para o bem ou para o mal, a depender da ação de cada um de nós.

Nas escolhas que faremos o pano de fundo é sombrio. Desatinos de política econômica, herdados pelo atual governo, levaram a uma situação na qual há cerca de treze milhões de desempregados e um déficit público acumulado, sem contar os juros, de quase R$ 400 bilhões só nos últimos quatro anos, aos quais se somarão mais de R$ 100 bilhões em 2018. Essa sequência de déficits primários levou a dívida pública do governo federal a quase R$ 4 trilhões e a dívida pública total a mais de R$ 5 trilhões, cerca de 80% do PIB este ano, a despeito da redução da taxa de juros básica nos últimos dois anos. A situação fiscal da União é precária e a de vários Estados, dramática.

Como o novo governo terá gastos obrigatórios (principalmente salários do funcionalismo e benefícios da previdência) que já consomem cerca de 80% das receitas da União, além de uma conta de juros estimada em R$ 380 bilhões em 2019, o quadro fiscal da União tende a se agravar. O agravamento colocará em perigo o controle da inflação e forçará a elevação da taxa de juros. Sem a reversão desse círculo vicioso o país, mais cedo que tarde, mergulhará em uma crise econômica ainda mais profunda.

Diante de tão dramática situação, os candidatos à Presidência deveriam se recordar do que prometeu Churchill aos ingleses na guerra: sangue, suor e lágrimas. Poucos têm coragem e condição política para isso. No geral, acenam com promessas que não se realizarão com soluções simplistas, que não resolvem as questões desafiadoras. É necessária uma clara definição de rumo, a começar pelo compromisso com o ajuste inadiável das contas públicas.  São medidas que exigem explicação ao povo e tempo para que seus benefícios sejam sentidos. A primeira dessas medidas é uma lei da Previdência que elimine privilégios e assegure o equilíbrio do sistema em face do envelhecimento da população brasileira. A fixação de idades mínimas para a aposentadoria é inadiável. Ou os homens públicos em geral e os candidatos em particular dizem a verdade e mostram a insensatez das promessas enganadoras ou, ganhe quem ganhar, o pião continuará a girar sem sair do lugar, sobre um terreno que está afundando.

Ante a dramaticidade do quadro atual, ou se busca a coesão política, com coragem para falar o que já se sabe e a sensatez para juntar os mais capazes para evitar que o barco naufrague, ou o remendo eleitoral da escolha de um salvador da Pátria ou de um demagogo, mesmo que bem intencionado, nos levará ao aprofundamento da crise econômica, social e política.

Os partidos têm responsabilidade nessa crise. Nos últimos anos, lançaram-se com voracidade crescente ao butim do Estado, enredando-se na corrupção, não apenas individual, mas institucional: nomeando agentes políticos para, em conivência com chefes de empresas, privadas e públicas, desviarem recursos para os cofres partidários e suas campanhas. É um fato a desmoralização do sistema político inteiro, mesmo que nem todos hajam participado da sanha devastadora de recursos públicos. A proliferação dos partidos (mais de 20 na Câmara Federal e muitos outros na fila para serem registrados) acelerou o ‘dá-cá, toma-lá’ e levou de roldão o sistema eleitoral-partidário que montamos na Constituição de 1988. Ou se restabelece a confiança nos partidos e na política ou nada de duradouro será feito.

É neste quadro preocupante que se vê a radicalização dos sentimentos políticos. A gravidade de uma facada com intenções assassinas haver ferido o candidato que está à frente nas pesquisas eleitorais deveria servir como um grito de alerta: basta de pregar o ódio, tantas vezes estimulado pela própria vítima do atentado. O fato de ser este o candidato à frente das pesquisas e ter ele como principal opositor quem representa um líder preso por acusações de corrupção mostra o ponto a que chegamos.

Ainda há tempo para deter a marcha da insensatez. Como nas Diretas-já, não é o partidarismo, nem muito menos o personalismo, que devolverá rumo ao desenvolvimento social e econômico. É preciso revalorizar a virtude da tolerância à política, requisito para que a democracia funcione. Qualquer dos polos da radicalização atual que seja vencedor terá enormes dificuldades para obter a coesão nacional suficiente e necessária para adoção das medidas que levem à superação da crise. As promessas que têm sido feitas são irrealizáveis. As demandas do povo se transformarão em insatisfação ainda maior, num quadro de violência crescente e expansão do crime organizado.

Sem que haja escolha de uma liderança serena que saiba ouvir, que seja honesto, que tenha experiência e capacidade política para pacificar e governar o país; sem que a sociedade civil volte a atuar como tal e não como massa de manobra de partidos; sem que os candidatos que não apostam em soluções extremas se reúnam e decidam apoiar quem melhores condições de êxito eleitoral tiver, a crise tenderá certamente a se agravar. Os maiores interessados nesse encontro e nessa convergência devem ser os próprios candidatos que não se aliam às visões radicais que opõem ‘eles’ contra ‘nós’.

Não é de estagnação econômica, regressão política e social que o Brasil precisa. Somos todos responsáveis para evitar esse descaminho. É hora de juntar forças e escolher bem, antes que os acontecimentos nos levem para uma perigosa radicalização. Pensemos no país e não apenas nos partidos, neste ou naquele candidato. Caso contrário, será impossível mudar para melhor a vida do povo. É isto o que está em jogo: o povo e o país. A Nação é o que importa neste momento decisivo.”

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Moraes prova que não tem defesa

Moraes prova que não tem defesa
2

Com ou sem blindagem, o xerife Moraes já caiu

Com ou sem blindagem, o xerife Moraes já caiu
3

Dino avacalha ao sugerir conflito de interesse de Mendonça

Dino avacalha ao sugerir conflito de interesse de Mendonça
4

Crusoé: 500 mil reais por mês para o filho de Nunes Marques

Crusoé: 500 mil reais por mês para o filho de Nunes Marques
5

Alexandre de Moraes parece que não sabe escrever “WhatsApp”

Alexandre de Moraes parece que não sabe escrever “WhatsApp”
6

Nunes Marques nega ligação com Master, mas se declara impedido de julgar caso

Nunes Marques nega ligação com Master, mas se declara impedido de julgar caso
7

Moraes alega monitoramento ilegal e acusa Mendonça de agir politicamente

Moraes alega monitoramento ilegal e acusa Mendonça de agir politicamente
8

Dino pede investigação sobre instituto ligado a Mendonça

Dino pede investigação sobre instituto ligado a Mendonça
9

Fachin cobra Dino: “Precisa pedir a palavra à Presidência”

Fachin cobra Dino: “Precisa pedir a palavra à Presidência”
10

Ninguém está acima da lei? Depende. No STF, talvez

Ninguém está acima da lei? Depende. No STF, talvez
1

Cármen Lúcia pede desculpas ao povo e diz que STF gerou "intranquilidade"

Cármen Lúcia pede desculpas ao povo e diz que STF gerou "intranquilidade"
2

“Plenário não pode, de ofício, determinar investigação”, diz Moraes

“Plenário não pode, de ofício, determinar investigação”, diz Moraes
3

Crusoé: "Até a máfia tem ética", diz Gilmar

Crusoé: "Até a máfia tem ética", diz Gilmar
4

Dino recomenda a Fachin vídeo do humorista Fábio Porchat

Dino recomenda a Fachin vídeo do humorista Fábio Porchat
5

Fachin vota para manter julgamento do caso Moraes-Vorcaro

Fachin vota para manter julgamento do caso Moraes-Vorcaro
6

Nunes Marques nega ligação com Master, mas se declara impedido de julgar caso

Nunes Marques nega ligação com Master, mas se declara impedido de julgar caso
7

Lulômetro: Desaprovação de Lula mantém alta e chega a 42%

Lulômetro: Desaprovação de Lula mantém alta e chega a 42%
8

“Moraes acusa Mendonça de agir como Moraes”, diz Vieira

“Moraes acusa Mendonça de agir como Moraes”, diz Vieira
9

Oito horas de jogo sujo no STF

Oito horas de jogo sujo no STF
10

Crusoé: Moraes usa a palavra "ilegal" 26 vezes para se referir à atuação de Mendonça

Crusoé: Moraes usa a palavra "ilegal" 26 vezes para se referir à atuação de Mendonça
1

China restringe saída de cidadãos ao exterior

China restringe saída de cidadãos ao exterior
2

Entenda como fica o julgamento sobre Moraes-Vorcaro após pedido de vista

Entenda como fica o julgamento sobre Moraes-Vorcaro após pedido de vista
3

Professor de Processo Penal analisa votos do STF durante sessão da Corte

Professor de Processo Penal analisa votos do STF durante sessão da Corte
4

Justiça obriga Salles a excluir vídeos contra André do Prado

Justiça obriga Salles a excluir vídeos contra André do Prado
5

Lula defende investigação sobre relação de Moraes com Vorcaro

Lula defende investigação sobre relação de Moraes com Vorcaro
6

Wilson Lima explica placar de sessão que define como Moraes e Mendonça serão julgados no STF

Wilson Lima explica placar de sessão que define como Moraes e Mendonça serão julgados no STF
7

Imprensa internacional repercute “luta feroz” no STF

Imprensa internacional repercute “luta feroz” no STF
8

PRTB troca Marçal por Avalanche na corrida à Presidência

PRTB troca Marçal por Avalanche na corrida à Presidência
9

Lulômetro: Desaprovação de Lula mantém alta e chega a 42%

Lulômetro: Desaprovação de Lula mantém alta e chega a 42%
10

Rússia critica plano nuclear francês para Europa

Rússia critica plano nuclear francês para Europa

Tags relacionadas

carta Eleição 2018 FHC Jair Bolsonaro
< Notícia Anterior

Bolsonaro apresenta febre e resíduo de líquido ao lado do intestino

20.09.2018 00:00 4 minutos de leitura
Bolsonaro apresenta febre e resíduo de líquido ao lado do intestino
Próxima notícia >

Dallagnol fala sobre saída de Carlos Fernando

20.09.2018 00:00 4 minutos de leitura
Dallagnol fala sobre saída de Carlos Fernando
avatar

Redação O Antagonista

Suas redes

Twitter Instagram Facebook

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)


Início
Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a Política de cookies.

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.

Assine
o antagonista
o antagonista

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41 Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Anuncie Conosco

Últimas Notícias Brasil Mundo

Economia Lado oa! Colunistas Newsletter

Icone do Twitter Icone do Youtube Icone do Whatsapp Icone do Instagram Icone do Facebook

Quer receber notícias do Antagonista em seu e-mail?

Assine nossa newsletter e receba as principais notícias em seu e-mail

Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem Somos Hora extra Política de privacidade Termos de uso Política de Cookies Política de compliance Princípios Editoriais Perguntas Frequentes Anuncie
O Antagonista , 2026, Todos os direitos reservados, 25.163.879/0001-13.
Background do rodapé