Quem confiará 100% no desfecho do caso Marielle? Quem confiará 100% no desfecho do caso Marielle?
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20.03.2024

Quem confiará 100% no desfecho do caso Marielle?

Não quer dizer que não seja possível solucionar o caso Marielle na vida real, mas que parcelas da população jamais vão acreditar

O excesso de uso político do caso Marielle se combina com uma inexplicável demora de 6 anos para elucidar e punir o assassinato de uma autoridade. Some isso com a falta de confiança nas instituições e temos uma mistura explosiva, que pode tornar esse crime eternamente sem solução.

Não quer dizer que não seja possível solucionar na vida real, mas que parcelas da população jamais vão acreditar em qualquer solução que seja apresentada.

O assassinato de Marielle Franco é um dos crimes mais utilizados para fazer palanque político. Ontem mesmo o ministro da Justiça convocou uma entrevista coletiva à imprensa para fazer um anúncio importante. Muita gente, inclusive a viúva, pensou que seria para falar da solução. Não era, era mais uma delação e anúncio de que talvez, em breve, não sabemos quando, a solução virá.

Quem quer ajudar a elucidar já atrapalha com tanto uso político do nome de Marielle. A isso se soma o movimento do pessoal que elegeu a vereadora como inimiga do país. Diversas personalidades públicas têm se dedicado à atividade nojenta de tentar enlamear a memória dela. Isso já começou no dia do assassinato e persiste até hoje.

No meio desse caldeirão político, temos também um importante componente cultural, o fenômeno “true crime”. Está no auge e faz com que muitos cidadãos realmente acreditem ter o talento de investigar e descobrir coisas que ninguém sabe.

Há uma série muito interessante que demonstra o meu ponto: Cena do Crime – Mistério e Morte no Hotel Cecil. É sobre um assassinato em Los Angeles. As pessoas começam a se juntar pela internet para tentar resolver o caso. Vêem sinais em vídeos e fotos pela internet, o que pode até ser boa diversão e um passatempo interessante. O problema é que essas pessoas, apesar de adultas, realmente acham que estão resolvendo o caso. Um grupo resolve fazer uma excursão até o local do crime e quase compromete completamente as investigações.

O caso Marielle tem esse componente. Há uma turma que tem certeza de que o mandante carrega o sobrenome Bolsonaro. Não vai aceitar nada diferente disso. E há outra turma que não aceitará nada que chegue nem perto da família Bolsonaro, dirá que é perseguição pura.

Todas as circunstâncias desse caso ainda não resolvido levam a crer que ele sempre será mal resolvido. Mesmo entre quem considerar que a justiça foi feita haverá o gosto amargo da demora inexplicável e do palanque político erguido sobre um cadáver.

O assassinato de Marielle já serviu para muitas coisas e muita gente. Só não serviu e provavelmente não servirá para duas coisas: ensinar que política não se faz matando os outros e mostrar que o crime não compensa.

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Quem confiará 100% no desfecho do caso Marielle?

Não quer dizer que não seja possível solucionar o caso Marielle na vida real, mas que parcelas da população jamais vão acreditar

O excesso de uso político do caso Marielle se combina com uma inexplicável demora de 6 anos para elucidar e punir o assassinato de uma autoridade. Some isso com a falta de confiança nas instituições e temos uma mistura explosiva, que pode tornar esse crime eternamente sem solução.

Não quer dizer que não seja possível solucionar na vida real, mas que parcelas da população jamais vão acreditar em qualquer solução que seja apresentada.

O assassinato de Marielle Franco é um dos crimes mais utilizados para fazer palanque político. Ontem mesmo o ministro da Justiça convocou uma entrevista coletiva à imprensa para fazer um anúncio importante. Muita gente, inclusive a viúva, pensou que seria para falar da solução. Não era, era mais uma delação e anúncio de que talvez, em breve, não sabemos quando, a solução virá.

Quem quer ajudar a elucidar já atrapalha com tanto uso político do nome de Marielle. A isso se soma o movimento do pessoal que elegeu a vereadora como inimiga do país. Diversas personalidades públicas têm se dedicado à atividade nojenta de tentar enlamear a memória dela. Isso já começou no dia do assassinato e persiste até hoje.

No meio desse caldeirão político, temos também um importante componente cultural, o fenômeno “true crime”. Está no auge e faz com que muitos cidadãos realmente acreditem ter o talento de investigar e descobrir coisas que ninguém sabe.

Há uma série muito interessante que demonstra o meu ponto: Cena do Crime – Mistério e Morte no Hotel Cecil. É sobre um assassinato em Los Angeles. As pessoas começam a se juntar pela internet para tentar resolver o caso. Vêem sinais em vídeos e fotos pela internet, o que pode até ser boa diversão e um passatempo interessante. O problema é que essas pessoas, apesar de adultas, realmente acham que estão resolvendo o caso. Um grupo resolve fazer uma excursão até o local do crime e quase compromete completamente as investigações.

O caso Marielle tem esse componente. Há uma turma que tem certeza de que o mandante carrega o sobrenome Bolsonaro. Não vai aceitar nada diferente disso. E há outra turma que não aceitará nada que chegue nem perto da família Bolsonaro, dirá que é perseguição pura.

Todas as circunstâncias desse caso ainda não resolvido levam a crer que ele sempre será mal resolvido. Mesmo entre quem considerar que a justiça foi feita haverá o gosto amargo da demora inexplicável e do palanque político erguido sobre um cadáver.

O assassinato de Marielle já serviu para muitas coisas e muita gente. Só não serviu e provavelmente não servirá para duas coisas: ensinar que política não se faz matando os outros e mostrar que o crime não compensa.

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