Globalização pode ter “acabado”, diz chefe do HSBC
Presidente do banco britânico afirma que modelo atual “pode ter chegado ao fim” diante de tensões comerciais e geopolíticas

O presidente do HSBC, Mark Tucker, afirmou nesta terça-feira, 25, que a globalização “pode ter chegado ao fim”, em meio ao avanço das tensões comerciais e rearranjos geopolíticos. A declaração foi feita durante o Global Investment Summit do banco, em Hong Kong.
Segundo Tucker, as disputas comerciais têm gerado incertezas que representam “um risco potencial sério ao crescimento global”. Desde janeiro, o governo americano voltou a impor tarifas a parceiros estratégicos como China, Canadá e México. Um novo pacote de tarifas deve ser anunciado em 2 de abril.
“O mundo atravessa um período de mudanças profundas nas políticas comerciais, econômicas e nos arranjos de segurança internacional”, disse o executivo. “Acreditamos que a globalização como a conhecíamos pode ter chegado ao fim.”
Tucker destacou que as cadeias de suprimento orientadas pela eficiência econômica promoveram um dos maiores ciclos de geração de riqueza da história recente, alterando o equilíbrio do poder econômico. “O que antes era sustentável, hoje já não é mais”, afirmou.
O executivo negou que isso signifique um retrocesso ou fragmentação geopolítica, prevendo, em vez disso, o fortalecimento de laços entre grupos regionais e blocos comerciais, como o Brics ampliado – grupo que agora inclui Irã, Emirados Árabes Unidos, Egito, Etiópia e Indonésia, além dos cinco membros originais: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
“O aumento das conexões comerciais e financeiras entre essas economias e o restante do mundo emergente sugere que pode haver efeitos de crescimento relevantes”, disse Tucker. Ele afirmou ainda que os países do Brics vêm construindo instituições com impacto sobre energia, comércio, finanças, cadeias produtivas e tecnologia.
A estratégia do HSBC acompanha esse movimento. O banco dividiu suas operações em duas unidades geográficas: uma voltada para Ásia e Oriente Médio e outra para Europa e Américas. A expectativa, segundo Tucker, é de que a conectividade econômica entre Ásia e Oriente Médio “dispare” nos próximos anos.
Tucker concluiu que mais países emergentes devem se juntar ao Brics, buscando laços mais estreitos e maior protagonismo no cenário internacional.
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