Líder do PL pede a Moraes para ver Braga Netto na prisão
Deputado Sóstenes Cavalcante disse ser "amigo íntimo há muitos anos" do general

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para liberar uma visita ao ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto preso desde dezembro do ano passado na Vila Militar, no Rio, segundo o Estadão.
Na solicitação, o deputado afirmou que ser “amigo íntimo há muitos anos” de Braga Netto.
“Solicito, por meio deste, pedido de visita ao General da Reserva Sr. Walter Souza Braga Netto, recluso preventivamente na 1ª Divisão do Exército, subordinada ao Comando Militar do Leste, localizada na Vila Militar, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro/RJ, com fulcro no artigo 41 da Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984), haja vista que somos amigos íntimos há muitos anos”, escreveu Sóstenes.
Na semana passada, a Primeira Turma do STF rejeitou o recurso da defesa Walter Braga Netto e decidiu mantê-lo na prisão.
No plenário virtual, o relator ministro Alexandre de Moraes votou para manter sua decisão, sendo acompanhado pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.
“Os desdobramentos da investigação, notadamente a realização da denominada operação ‘Contragolpe’, assim como os novos depoimentos do colaborador Mauro César Barbosa Cid, revelaram a gravíssima participação de Walter Souza Braga Netto nos fatos investigados”, diz Moraes em seu voto.
Leia mais: “STF mantém prisão de Braga Netto”
Prisão
Em dezembro do ano passado, Braga Netto foi preso em Copacabana.
Ex-ministro da Casa Civil e da Defesa durante o governo Bolsonaro, o general está entre os denunciados pela PGR pelos crimes de abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de Estado e organização criminosa.
“Senta o pau no Batista Júnior”
Em 15 de dezembro de 2022, Braga Netto orientou o capitão reformado Ailton Gonçalves Moraes Barros a infernizar a vida do tenente brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Jr. e da família dele, após o então comandante da Aeronáutica ter se recusado a aderir a um golpe de Estado.
“Senta o pau no Batista Júnior. Povo sofrendo, arbitrariedades sendo feitas e ele fechado na mordomia. Negociando favores. Dai [sic] para frente. Inferniza a vida dele e da família.”
A mensagem de Braga Netto foi identificada pela PF no telefone celular de Ailton.
O general também orientou o destinatário a elogiar o então comandante da Marinha, Almir Garnier, que, segundo os depoimentos de Batista Jr.e do ex-comandante do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, topou colocar as tropas à disposição de Bolsonaro quando o então presidente consultou os chefes das Forças Armadas sobre decretos golpistas.
A PF indagou a Baptista Jr. se a determinação de Braga Netto se deveu aos posicionamentos diferentes dele e de Garnier no contexto de tentativa de golpe de Estado.
Baptista Jr. “respondeu que sim”, segundo o relatório. No caso dele, “que se deve ao fato de não ter aderido à tentativa de golpe” e “que não negociou nenhum favor com qualquer pessoa”.
Confirmou também que ele e sua família sofreram diversos ataques, pressões e hostilidades de apoiadores de Bolsonaro visando mudar sua opinião sobre o tema.
A PF ainda apresentou a Baptista Jr. ataques que foram disparados a partir do telefone do próprio Braga Netto, “na rede social WhatsApp, contra a honra e dignidade do depoente”.
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