Como Marçal participou de golpe bancário em 2005
Ex-coach foi condenado a quatro anos e cinco meses de prisão por furto qualificado, mas crime prescreveu
Áudios obtidos pelos investigadores da Polícia Federal, via grampo telefônico, mostram como foi a participação do candidato a prefeito de São Paulo Pablo Marçal (PRTB) no esquema de fraudes bancárias que o levou à prisão em 2005.
O material, divulgado pelo Uol no domingo, 1º, consta no processo da 11ª Vara da Justiça Federal de Goiânia, que levou o ex-coach a ser condenado a quatro anos e cinco meses de prisão por furto qualificado, em abril de 2010. Ele, no entanto, não chegou a cumprir a sentença e teve a pena prescrita, em 2018.
Marçal foi preso em casa em 31 de agosto de 2005. Dois dias depois ele foi solto após contar à PF como o esquema funcionava.
O envolvimento de Marçal
Em depoimento, o ex-coach confirmou que captava endereços de e-mail para a quadrilha. O objetivo era que capturar os dados bancários das vítimas após o envio de mensagens aos e-mails captados.
“Danilo [Oliveira, chefe da quadrilha] disse que ‘Paco’ [outro integrante do grupo] inicialmente iria subtrair emails de certos hackers para repassá-los a Danilo e também iria fazer programas invasores [SPAM], que simulariam páginas de instituições bancárias para com isso capturar os dados dos correntistas”, afirmou Marçal em depoimento.
Ele também admitiu que “passou a operar” um programa para capturar e-mails de possíveis vítimas.
Os diálogos gravados pela polícia comprovam a atuação de Marçal no grupo criminoso.
Os áudios
Conversa entre Pablo Marçal e Danilo Oliveira em 21 de agosto de 2005 mostra o ex-coach falando sobre a captação de e-mails.
Marçal: Tô capturando aqui, chefe. Negócio tá bom. Negócio aqui em casa tá bom. Capturei hoje o dia inteiro.
Danilo: Mas tem que prestar atenção nas listas. Você vê, aquela lista que você fez, com o JC (software) aqui em casa, muito ruim. A minha que eu fiz, muito boa, tudo bom, quase tudo bom, entendeu? Tem que prestar atenção nisso aí, ver como que tá fazendo. O que é e tal. O segredo é olhar os webmail direitinho.
Em outro áudio, de 21 de agosto, Danilo Oliveira cobrou Marçal sobre a qualidade dos e-mails.
Danilo: Quero ver a produção de email capturado. Aquele email que você capturou no primeiro dia não tava bom, não.
Marçal: Da primeira vez?
Danilo: É.
Marçal: Os que eu tô pegando não tem como eu enviar de lá, não?
Danilo: É mais para capturar, filho.
Marçal: Então tá.
Em 24 de agosto de 2005, Marçal e Danilo combinaram um modo para compartilhar e-mails.
Marçal: Faz o seguinte, eu coloco os que eu for enviar pra depois você entrar e enviar depois… Você fez dois emails, não fez? Eu entro no seu email, com a senha daquele ‘primocorreria’, mando dele pro meu, só que fica salvo dentro do seu. Aí esse ‘primocorreria’ é o que eu vou mandar. Agora os que eu for mandar pro ‘primocorreria2’ é pra você enviar. Entendeu?
Danilo: Beleza. Então se for mandar hoje já manda pro ‘primocorreria2’.
Marçal: Eu vou mandar agora pro ‘primocorreria2’.
Também em 24 de agosto, Marçal recebeu uma bronca de Danilo por utilizar o nickname “Delegado Federal” no MSN Messenger.
Marçal: Tô mandando seu trem aqui agora. Zipado, aqui. (…) Os capturados. (…)
Danilo: Tira essa porra de ‘Delegado Federal’ aí, pô.
Marçal: Ué, por causa de quê?
Danilo: Cê é doido.
Marçal: Vou tirar aqui, só por sua causa, então.
Danilo: Eu chego aqui e vejo essa porra de ‘Delegado Federal’ no meu MSN, rapaz.
Marçal confessou
Em seu depoimento antes de ser solto, Marçal chegou a confessar que participou do esquema de captação de e-mails, mas depois recuou, dizendo que só fazia a manutenção dos computadores de Danilo.
O chefe da quadrilha, no entanto, entregou Marçal.
“Eu não cheguei a fazer [captura de emails]. Eu tinha uma pessoa, que é o Pablo, que tá sendo indiciado, que fazia pra mim. Ele capturava emails. Isso aí é bom falar mesmo, porque quando eles me prometeram vender o programa, falou ‘ó, cê vai capturando emails aí, que quando você tiver uma lista boa de emails, eu vou mandar um programa pra você’. Então eu peguei, coloquei dois computadores na [casa na rua] Pouso Alto e pus o Pablo para capturar pra mim, que ele tinha maior conhecimento de informática”, disse Danilo em depoimento.
Marçal minimizou o crime cometido em 2005
Em sabatina na GloboNews, em 26 de agosto, Marçal minimizou o episódio:
“Queria ser uma pessoa que nunca foi processada, um menino que nem peida. Mas não foi assim. Infelizmente, fui injustiçado. Muitas coisas na minha vida foi bobeira mesmo que eu fiz, todo mundo erra. A gente tem um presidente que fez a maior quadrilha e vocês tão pegando em coisa que eu peguei 350 reais para ajudar na minha casa?”
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