Galípolo mela o jogo de Lula de novo

21.02.2026

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O Antagonista

Galípolo mela o jogo de Lula de novo

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Rodolfo Borges
5 minutos de leitura 27.03.2025 14:36 comentários
Análise

Galípolo mela o jogo de Lula de novo

Presidente do Banco Central reivindica protagonismo nas decisões de elevação da taxa básica de juros e desmente discurso do presidente sobre "cavalo de pau"

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Rodolfo Borges
5 minutos de leitura 27.03.2025 14:36 comentários 2
Galípolo mela o jogo de Lula de novo
Foto: Raphael Ribeiro/BC

Isso não é novidade para quem acompanha O Antagonista, mas o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, repetiu nesta quinta-feira, 27, que foi protagonista na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na qual se decidiu elevar a taxa básica de juros em um ponto percentual em dezembro de 2024 e projetar dois novos aumentos nas duas primeiras reuniões de 2025.

Galípolo falou durante apresentação do Relatório de Política Monetária, na qual foi questionado sobre quem definiu que a taxa básica de juros deveria chegar aos atuais 14,25% ao ano, diante das alegações de Lula e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de que o BC não poderia dar um “cavalo de pau” após a gestão de Roberto Campos Neto.

“Sobre o nosso processo de decisão, eu já tinha dito em dezembro que o Roberto [Campos Neto] tinha sido generoso na última reunião de permitir que eu pudesse assumir um papel maior de protagonismo ao longo da discussão naquela reunião do Copom. Para além disso, todos os diretores têm autonomia, e em todos os meus votos e em todos os votos dos diretores está lá expressão o que é a consciência e a visão de cada um dos diretores”, disse Galípolo.

“Cavalo de pau”

Na sequência, Galípolo tentou aliviar a barra de Lula e Haddad:

“As decisões têm sido unânimes já há algum tempo, e não cabe a mim fazer comentário sobre qualquer tipo de comentário do presidente da República ou do ministro, mas como eu entendo o comentário que está vindo tanto por parte do presidente, do ministro, de outras pessoas, sobre o tema do cavalo de pau é: eu acho que independente de com quem você dialogue, existe, aqui no Brasil, o diagnóstico, já de algum tempo, que já um estranhamento, vamos dizer assim, com o fato de que a gente convive muitas vezes com taxas de juros relativamente elevadas quando comparado com os pares, e, ainda assim, a gente vê um nível de atividade econômica mais dinâmico. É o caso que nós estamos vivenciando agora.”

Segundo o presidente do BC, é “super comum” ele ser perguntado pelos pares de Banco Central “de como é possível você estar na mínima da taxa de desemprego da série histórica e simultaneamente [ter] uma taxa de juros que para um outro país seria entendido como uma taxa de juros bastante contracionista”.

“Já falei bastante em outras falas minhas. Acho que, do ponto de vista estrutural, isso envolve revisitar os canais de transmissão da política monetária e entender por que no Brasil é preciso doses muitas vezes maiores para a gente conseguir o mesmo efeito. Para citar aqui o Armínio [Fraga, ex-presidente do Banco Central], a gente tem convicção [de] que o remédio funciona, mas a questão é: historicamente, por que a gente precisa de doses maiores do que remédio quando eu comparo com alguns pares. E eu também tenho dito que entendo que esse é um processo de desafio quase que geracional aqui nosso, para a gente endereçar, de normalização da política monetária, mas que não tem uma bala de prata”, seguiu o presidente do BC, completando:

“Acho que é nesse sentido que dialoga com a ideia de cavalo de pau. Você vai ter que precisar fazer e revisitar uma série de pontos, de fazer reformas que vão permitir a gente ter, talvez, uma passagem dos mecanismos de transição da política monetária mais desimpedido.”

“O outro presidente”

Lula disse no fim de janeiro, quando Galípolo presidiu sua primeira reunião do Copom, que “o presidente do Banco Central não pode dar um cavalo de pau num mar revolto, de uma hora para outra” e que “já estava praticamente demarcado a necessidade da subida de juros pelo outro presidente”.

Haddad foi além e disse o seguinte em 20 de março, ao comentar as altas seguidas na taxa Selic:

“O antigo presidente do Banco Central foi nomeado pelo Bolsonaro e ficou dois anos além do mandato do Bolsonaro na presidência do Banco Central. Você contratou, como dizem, três aumentos bastante pesados na Selic na última reunião do ano passado. Você não pode, na presidência do Banco Central, dar um cavalo de pau depois que assumiu. Isso é uma coisa muito delicada. Quer dizer, o novo presidente, com os novos diretores, eles têm aí uma herança a administrar, mais ou menos como eu tive uma herança a administrar em relação ao Paulo Guedes. Não foi fácil manter o país funcionando depois de 2022. Em 2022, foi feito um estrago nas contas públicas brasileiras para garantir o resultado eleitoral que você não pode imaginar.”

Gaípolo, que já tinha refutado a narrativa dos petistas sobre a alta dólar no ano passado, antes mesmo de assumir o BC, desmentiu Lula e Haddad mais uma vez nesta quinta.

Leia mais: Galípolo puxa a orelha de Lula

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Rodolfo Borges

Rodolfo Borges é jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou em veículos como Correio Braziliense, Istoé Dinheiro, portal R7 e El País Brasil.

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Comentários (2)

Luiz Filho

30.03.2025 10:02

Os merdas não assumem nada. Tudo é herança maldita. Mas são todos malignos, nefastos.


Amaury G Feitosa

29.03.2025 10:37

A responsabilidade de Galípolo e diretoria do BC é imensa e de forma sensata e responsável tomam decisões acertadas infelizmente duras mas motivadas pela irresponsabilidade da ditadura insana que massacra a nação, uma pena mas não há outra forma de proteger os interesses de todos.


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