Deltan: ‘Havia cerca de 400 investigações em andamento quando extinguiram a Lava Jato’
O ex-procurador Deltan Dallagnol (foto) publicou nesta quinta (3) nas redes sociais um vídeo sobre a extinção da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, que foi anunciada há um ano pelo Ministério Público Federal...
O ex-procurador Deltan Dallagnol (foto) publicou nesta quinta (3) nas redes sociais um vídeo sobre a extinção da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, que foi anunciada há um ano pelo Ministério Público Federal. Na gravação, Deltan, que se filiou ao Podemos em 2021, fala a respeito do impacto da decisão no combate à corrupção no Brasil.
“A força-tarefa ainda tinha cerca de 400 investigações em andamento, que apuravam crimes gravíssimos e multimilionários de corrupção. A extinção da força-tarefa prejudicou o andamento desses trabalhos e contrariou a vontade de 80% dos brasileiros. […] No mesmo ano em que a força-tarefa foi extinta, em 2021, a Polícia Federal realizou o menor número de prisões por corrupção dos últimos 14 anos.”
Ex-coordenador da Lava Jato, Deltan também disse que, por um momento, os brasileiros tiveram esperança de que a corrupção no país poderia chegar ao fim. No entanto, ele menciona que o assunto perdeu relevância devido à pandemia e à crise econômica e, com isso, “os corruptos poderosos se rearticularam”.
“Ele são influentes e têm aliados em todos os setores da sociedade. A corrupção contra-atacou e contra-ataca. […] Leis contra a corrupção foram desfiguradas ou simplesmente derrubadas no Congresso e o modelo de força-tarefa foi extinto no próprio Ministério Público Federal. […] Conquistas históricas, como a lei de improbidade e a prisão em segunda instância, foram destruídas”, acrescenta.
Ainda no vídeo Deltan menciona políticos que foram alvos da Lava Jato e podem voltar ao poder: Eduardo Cunha, Beto Richa, Aécio Neves, Arthur Lira, Romero Jucá, Cândido Vaccarezza, Lula, Geraldo Alckmin e Delcídio do Amaral. Em seguida, afirma que eles representam o sistema político que “nós precisamos mudar”.
O ex-procurador também critica a atuação do STF:
“Além de não punir praticamente ninguém na Lava Jato, está anulando as condenações, como um juiz que, no final do jogo, muda as regras. […] Se a gente que acabar com a corrupção, é preciso não roubar e não deixar roubar, mas o Supremo está adotando outra regra: não punir e não deixar punir, e é esse sistema que está desmontando a Lava Jato.”
Assista ao vídeo:
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