Brasil chegou enfraquecido na COP26 por não ter feito dever de casa, diz pesquisador
O pesquisador Raoni Rajão, coordenador do Laboratório de Gestão de Serviços Ambientais da UFMG, disse que o Brasil chegou "enfraquecido" na COP26 por não ter feito o dever de casa na área ambiental. "Nós chegamos na COP muito enfraquecidos. Sem ter feito o dever de casa. Então na hora de...
O pesquisador Raoni Rajão, coordenador do Laboratório de Gestão de Serviços Ambientais da UFMG, disse que o Brasil chegou “enfraquecido” na COP26 por não ter feito o dever de casa na área ambiental.
“Nós chegamos na COP muito enfraquecidos. Sem ter feito o dever de casa. Então na hora de sentar e de certa forma negociar esses diferentes elementos nós não temos condição, capital político, moral, para exigir que outro [país] faça primeiro, se claramente nós estamos nos comportando muito mal”, disse o professor, em entrevista a O Antagonista gravada na Conferência da ONU para o Clima, em Glasgow.
“Isso aqui é um grande jogo geopolítico. O Brasil tem muito a ganhar, é um país que consegue reduzir suas emissões a um custo baixo e com grandes benefícios nacionais, porque reduzir o desmatamento é uma questão também de proteger a nossa agropecuária no futuro”, afirmou. “E ainda por cima poderia ganhar créditos de carbono com isso. O que a gente está vendo aqui, infelizmente, é consequência de uma série de decisões erradas e [do] apoio a atividades criminosas na Amazônia, onde todos perdem. Perde o clima, perde a agricultura, perde o próprio estabelecimento do Estado de Direito”, acrescentou.
Na manhã de sexta-feira (12), em entrevista na COP26, o ministro Joaquim Leite disse que não tinha “acompanhado” os números mostrando aumento do desmatamento em outubro.
Durante a entrevista, Rajão também explicou o que chama de ‘agrosuicídio’. “O Brasil, para ser competitivo do ponto de vista do agronegócio, precisa ter acesso a mercados e também ter capacidade produtiva. O que nós notamos é que infelizmente ambos os aspectos da produção agrícola estão sendo afetados (…) Este foi o grande ano em que várias regulações internacionais saíram” – inclusive por parte da China, que suspendeu em setembro a importação de carne brasileira por causa de um caso de doença da vaca louca, mas cujas regulações ambientais podem representar um novo obstáculo.
Assista à entrevista na íntegra:
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