Paulo Guedes, o tesoureiro de campanha de Jair Bolsonaro; Confira

03.10.2026

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Paulo Guedes, o tesoureiro de campanha de Jair Bolsonaro
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6 minutos de leitura 27.12.2021 15:00 comentários
Brasil

Paulo Guedes, o tesoureiro de campanha de Jair Bolsonaro

Em 2021, Paulo Guedes se consolidou como o tesoureiro de campanha de Jair Bolsonaro. Tesoureiro informal, mas quem precisa de formalidade, não é mesmo? O ministro da Economia abandonou de vez sua fantasia de liberal, para atender aos interesses eleitoreiros de um presidente que derretia nas pesquisas. O ano começou com uma disputa crucial para Guedes. Seu maior adversário no Legislativo, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, tentava emplacar um sucessor, enquanto o governo fazia de tudo -- de tudo mesmo -- pelo nome do cacique do Centrão Arthur Lira...

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Paulo Guedes, o tesoureiro de campanha de Jair Bolsonaro
Foto: Adriano Machado/Flickr

Em 2021, Paulo Guedes se consolidou como o tesoureiro de campanha de Jair Bolsonaro. Tesoureiro informal, mas quem precisa de formalidade, não é mesmo? O ministro da Economia abandonou de vez sua fantasia de liberal, para atender aos interesses eleitoreiros de um presidente que derretia nas pesquisas.

O ano começou com uma disputa crucial para Guedes. Seu maior adversário no Legislativo, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, tentava emplacar um sucessor, enquanto o governo fazia de tudo — de tudo mesmo — pelo nome do cacique do Centrão Arthur Lira.

O ministro da Economia atribuía a Maia o fracasso de sua agenda econômica e fez campanha para o deputado do PP sem qualquer pudor. Em fevereiro, a vitória de Lira representou a promessa de que as reformas econômicas seriam aprovadas.

Em um primeiro momento, pautas importantes realmente passaram, como a autonomia do Banco Central e o novo marco legal do gás.  No entanto, o impasse sobre as reformas econômicas continuou, sobretudo em relação à reforma tributária e à reforma administrativa.

Com a pandemia ceifando vidas na proporção de 4 mil por dia, número assustador atingido em abril, o Ministério da Economia concordou com a volta do pagamento do auxílio emergencial, que havia terminado em janeiro, mas com um valor mais baixo.

A irrealidade dos prognósticos de Guedes para a economia brasileira ficaram mais evidentes quando a inflação saiu de controle, por causa do dólar alto e do aumento do preço dos combustíveis, principalmente. Além disso, o Banco Central segurou a taxa básica de juros, a fim de estimular o consumo. Para economistas ouvidos por O Antagonista, a prática, aliada à desvalorização cambial, contribuiu para a alta da inflação. Na tentativa de se eximir de qualquer responsabilidade, Jair Bolsonaro culpou os governadores, afirmando que o fenômeno era consequência das medidas restritivas.

O ministro da Economia, por sua vez, negou comicamente que os preços estavam fora de controle e se disse vítima de uma caçada midiática. Em mais uma declaração infeliz, para dizer o mínimo, Guedes associou o tamanho do prato da classe média à fome e sugeriu que os brasileiros se alimentassem das sobras de comida.

Em junho, com mais uma prorrogação do auxílio emergencial, o governo voltou a trabalhar em torno da hipótese de tornar o benefício permanente, com a reformulação do Bolsa Família. O novo programa teria o nome de Auxílio Brasil.

A equipe econômica de Paulo Guedes passou a buscar caminhos para bancar os pagamentos dos novo benefício, que atenderia a mais famílias do que o Bolsa Família. As alternativas encontradas foram uma PEC para dar um calote nos precatórios e a aprovação de uma reforma no Imposto de Renda, como parte da reforma tributária que ficou travada.

Apesar de uma enxurrada de críticas, a reforma do IR foi aprovada na Câmara em setembro. O texto prevê o aumento da faixa de isenção para pessoas físicas para R$ 2,5 mil e a tributação de lucros e dividendos. A proposta, no entanto, não andou no Senado. O presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, disse que usar a tributação de dividendos para bancar o novo Bolsa Família seria uma medida politiqueira.

Diante disso, a equipe econômica envidou todos os seus esforços para o calote nos precatórios.

Não bastasse esse cipoal de problemas, a imprensa divulgou os Pandora Papers, uma lista de autoridades de diversos países que tinham empresas em paraísos fiscais. Entre elas, estava Paulo Guedes, ligado à Dreadnoughts International Group Limited. O episódio levantou suspeitas de que o ministro tivesse atuado para beneficiar a empresa.

Como O Antagonista mostrou, Guedes deixou o cargo de diretor da companhia em dezembro de 2018, antes de assumir. O ministro negou qualquer irregularidade.

Depois de muito vaivém, o governo finalmente apresentou a sua proposta de gambiarra no teto de gastos para bancar o Auxílio Brasil, por meio do calote nos precatórios. A ideia seria garantir um espaço fiscal de R$ 83 bilhões, dos quais R$ 44 bilhões viriam do calote. O novo benefício seria de R$ 400.

O anúncio da orgia fiscal fez com que quatro secretários do Ministério da Economia pedissem demissão. Passou-se a especular até que Guedes pudesse deixar o governo.

Foi quando veio à tona mais um escândalo. Foi divulgado o áudio de uma reunião do banqueiro André Esteves, em que ele se jacta para a plateia da sua influência sobre Paulo Guedes, o Banco Central, o Congresso e até sobre o Supremo.

Ele afirma que foi o responsável por sugerir o fatiamento da reforma tributária, começando pela reforma do IR e pela tributação de dividendos. O banqueiro diz ainda que deu pitacos sobre qual deveria ser o reajuste na taxa de juros. Na gravação, Esteves fez uma defesa enfática de Guedes, que, segundo ele, apanha todos os dias.

Em novembro, a Câmara aprovou a PEC dos Precatórios em primeiro turno. A votação contou com a liberação de uma série de emendas para comprar o apoio dos parlamentares. Celso Maldaner, do MDB, disse ter ouvido sobre uma oferta de R$ 15 milhões por deputado.

Dias depois, a ministra do STF Rosa Weber suspendeu integralmente a execução das emendas do orçamento secreto — as emendas de relator que passaram a servir para o governo transferir centenas de milhões de reais a parlamentares que votavam com ele. A ministra afirmou que o modelo de liberação de verba não era transparente. A decisão foi confirmada no plenário. Rodrigo Pacheco e Arthur Lira agiram, então, para tornar transparente o futuro, não o passado. Em dezembro, Rosa Weber deu-se por satisfeita e autorizou a volta do pagamento das emendas de relator, que constituem o coração do orçamento secreto.

O ano termina com a PEC dos Precatórios aprovada no Senado, mas com modificações no texto que a fatia e, por isso, obrigam que ela seja outra vez votada na Câmara. O tesoureiro de Jair Bolsonaro precisa logo da bufunfa, porque o homem continua derretido nas pesquisas eleitorais.

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