Política e linguagem: onde está o extremismo político?

o antagonista

Assine Entre

09.06.2026

logo-crusoe-new
Crusoé
  • Últimas Notícias
  • Brasil
  • Mundo
  • Economia
  • Lado oa!
    • Carros
    • Entretenimento
    • Esportes
    • Imóveis
    • Tecnologia
    • Turismo
    • Variedades
  • Colunistas
  • Newsletter
Pesquisar Menu
o antagonista X
  • Olá

    Fazer login Assine agora
  • Home

    Editorias

    Newsletter Colunistas Últimas Notícias Brasil Mundo Economia Esportes Crusoe
  • Mídias

    Vídeos Podcasts
  • Anuncie conosco Quem Somos Política de privacidade Termos de uso Política de cookies Política de Compliance Perguntas Frequentes

E siga O Antagonista nas redes

Menu Menu Menu
O Antagonista

Política e linguagem: onde está o extremismo político?

avatar
Catarina Rochamonte
8 minutos de leitura 16.06.2024 13:24 comentários
Análise

Política e linguagem: onde está o extremismo político?

Por que políticos como Giorgia Meloni ou Javier Milei, que defendem a democracia e a liberdade ao defenderem a Ucrânia e Israel, são rotulados de extremistas e um político como Lula, que fala e age claramente contra ambos, passa por político moderado?

avatar
Catarina Rochamonte
8 minutos de leitura 16.06.2024 13:24 comentários 0
Política e linguagem: onde está o extremismo político?
Reprodução/X
  • Whastapp
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

Não é problema que a conversa política entre cidadãos comuns na rua, nas mesas de bar, nas filas de banco ou nas redes sociais se dê em termos pouco ou quase nada rigorosos. Trata-se aí de um desabafo cotidiano sem maiores consequências.

O vocabulário utilizado nesse contexto vem menos da apropriação da linguagem de uma vivência política (em partidos, sindicatos, associações, etc) ou de leituras consistentes do que de uma adaptação simplificadora da linguagem utilizada pelos meios de comunicação em massa.

Quando, porém, os próprios veículos de comunicação tido por confiáveis passam a expor sérias questões políticas com uma linguagem de mesa de bar ou de conversa de comadres em salão de beleza, pode-se dizer que há algum problema e que um mínimo de consenso em torno da definição de conceitos costumeiramente usados pela mídia torna-se necessário.

Por ocasião do recente resultado das eleições para o Parlamento Europeu, houve uma proliferação de manchetes no Brasil e em outros países expondo e analisando um suposto avanço da extrema direita na Europa e no mundo.

Ocorre que, embora partidos mais radicais de direita como o Rassemblement National (RN) da França ou o Alternative für Deutschland (AfD) da Alemanha tenham de fato crescido, o Parlamento Europeu continua sob o controle moderado, deslocando-se agora da centro-esquerda para a centro-direita.

Isso não significa que o crescimento do extremismo político não deva ser observado com cuidado. A questão é que, justamente por se tratar de um fenômeno importante, ele precisa ser analisado com honestidade, em termos corretos, sem a gritaria histérica de uma geração de jornalistas militantes que acham que o mundo vai acabar toda vez que a direita chega ao poder e que põem no mesmo balaio de gato de uma suposta extrema-direita “tudo aquilo que a esquerda considera ruim”, como bem explicou o jornalista e mestre em relações internacionais, Diogo Shelp, em um elucidativo artigo publicado na Crusoé.

De um extremo a outro

Shelp apresenta, no referido artigo, uma classificação esquematizada pelo cientista político holandês, Cas Mudde – o qual, confesso, desconhecia. O estudioso do extremismo político divide o campo da direita em extrema direita, direita radical, direita e centro direita. Da mesma forma, divide o campo da esquerda em extrema esquerda, esquerda radical, esquerda e centro esquerda. Para o autor, o extremismo, de um lado ou de outro, estaria ligado à rejeição à soberania popular por meio do voto, rejeição à ordem constitucional e, consequentemente, rejeição à própria democracia.

O filósofo político italiano, Norberto Bobbio, propõe um espectro político mais simples (extrema esquerda/centro esquerda/centro direita/extrema direita), mas, em um aspecto fundamental, as duas classificações convergem: ambos ligam o extremismo à rejeição da própria democracia.

Para Mudd, extrema direita e extrema esquerda almejam a substituição da democracia por uma ditadura; também para Bobbio, revolucionários de esquerda e reacionários de direita possuem como ponto de vista político comum a antidemocracia; extremistas de um lado e de outro têm aversão à democracia como conjunto de valores e como método.

Independentemente da classificação adotada, é importante que, pelo menos, se reconheça no campo político um espectro com nuances que não podem ser eliminadas como se tudo fosse um jogo preto no branco, ou seja, é importante que se reconheça, no debate público, a existência de posições intermediárias, de um centro político; aquilo que Bobbio também chama de região cinza:

“Entre o branco e o preto pode existir o cinza. Entre o dia e a noite há o crepúsculo. Mas o cinza não elimina a diferença entre o branco e o preto, nem o crepúsculo elimina a diferença entre o dia e a noite.”

O moderantismo “isentão”

Radicais tendem a não ver ou a ver e não aceitar as nuances: para eles ou se é de direita ou se é de esquerda. Um termo meio tosco tornou-se comum nos últimos anos, aqui no Brasil, para tentar rotular quem não adere cegamente à narrativa reducionista – e muitas vezes distorcida – de um lado ou de outro: seria o famoso “isentão.”

Por não ecoarem a contento os discursos simplistas, facilmente manipuláveis por políticos hipócritas, os “isentões” são acusados pelos radiciais de não terem posições firmes. Na maioria das vezes, porém, os que são assim pejorativamente rotulados são aqueles que mais tiveram firmeza em suas posições, sustentadas a duras penas em meio à histeria e à intolerância a lhes exigir adesão.

O “isentão” seria o moderado. E esse moderantismo é tão importante que Bobbio chega a pensá-lo como uma nova díade. De um lado, o extremismo catastrófico, que interpreta a história como se ela desse saltos; de outro, o moderantismo gradualista, evolucionista e reformista.

Se considerarmos a definição proposta por Bobbio no livro “Direita e Esquerda: razões e significados de uma distinção política”, veremos que a liberdade, para ele, não é o critério para distinguir direita e esquerda, mas sim o critério para distinguir a ala política moderada da ala extremista.

Ele expõe um espectro político no qual a extrema-esquerda é concebida como um movimento igualitário e autoritário, a centro-esquerda como um movimento igualitário e libertário, a centro-direita como um movimento não-igualitário e libertário e a extrema-direita como um movimento não-igualitário e autoritário.

A igualdade, portanto, seria o critério para distinguir esquerda e direita, enquanto a liberdade seria o critério para distinguir a ala política moderada da ala extremista.

A extrema-direita está em marcha?

Voltando ao tema inicial da cobertura jornalística dos resultados das eleições do Parlamento Europeu como o sinal apocalíptico de uma extrema direita novamente em marcha na Europa, reiteramos a necessidade de mais prudência.

Como bem notou Douglas Murray, articulista da tradicional revista britânica, The Spectator, no artigo “The trouble with calling everyone ‘far right’” (o problema de chamar todo mundo de ‘extrema direita’), o uso extensivo, abusivo e pouco rigoroso desse termo torna-o cada vez mais desprovido de significado.

Os principais meios de comunicação social descreveram recentemente os partidos europeus mais diversos como sendo de “extrema direita”: da Itália, tanto o partido de Giorgia Meloni,Fratelli d´Itália, quanto oLega Nord de Matteo Salvini e até os conservadores do país (Conservatori e Riformisti) receberam o mesmo rótulo que o Partij voor de Vrijheid (Partido pela Liberdade) dos países baixos, o Vox da Espanha, o Fidesz, de Orbán, na Hungria e dos partidos franceses Rassemblement National, de Le Pen e o Reconquête, de Éric Zemmour.

Esse apagamento das nuances no espectro político à direita, misturando sob o rótulo de extrema direita partidos e políticos extremistas ou radicais e os que não o são, só serve ao extremismo de lado oposto.

Aliás, alguém se alarmou com os quase 10% de votos obtidos pelo partido de extrema esquerda da França, La France Insoumise, no parlamento europeu? Trata-se de um partido radical, que vem atuando como um tipo de fascismo de esquerda antissemita e antidemocrático, com ostensiva demonstração de apoio ao grupo terrorista Hamas.

Rússia, Hamas e um novo critério de valor

O mundo está em guerra e as duas guerras que mais capturam o nosso interesse e atenção, a guerra entre Israel e Hamas e entre Rússia e Ucrânia servem, no meu entendimento, como pedra de toque, como novo critério de avaliação de partidos e de políticos nos tempos atuais.

Vimos que o extremismo de esquerda ou de direita têm em comum a aversão à democracia e a aversão às liberdades individuais. Pois bem, o mundo livre, o mundo democrático, o mundo onde os direitos individuais são protegidos é o mundo que está nesse momento sendo ameaçado por Putin e pelo fundamentalismo islâmico.

Por que, então, políticos como Giorgia Meloni da Itália ou Javier Milei da Argentina, que defendem a democracia e a liberdade, ao defenderem a Ucrânia e Israel, são rotulados de extremistas e um político como Lula, do Brasil, que fala e age claramente contra ambos, passa por político moderado?

Talvez porque alguns conceitos políticos tenham sido tão vulgarizados e deturpados que já não descrevem nada e deixaram de fazer sentido.

Nunca foi tão fácil estar bem informado Siga nosso canal no WhatsApp
  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Gustavo Gayer é internado com quadro de obstrução intestinal

Gustavo Gayer é internado com quadro de obstrução intestinal
2

Entidades empresariais pedem alternativa à PEC da 6×1

Entidades empresariais pedem alternativa à PEC da 6×1
3

Crusoé: Contagem no Peru anda rápido e devagar

Crusoé: Contagem no Peru anda rápido e devagar
4

Nunes Marques suspende pesquisa AtlasIntel que mostrou queda de Flávio

Nunes Marques suspende pesquisa AtlasIntel que mostrou queda de Flávio
5

Governo interrompe vacina da dengue após casos graves e duas mortes

Governo interrompe vacina da dengue após casos graves e duas mortes
6

Crusoé: Os fantasmas golpistas na eleição peruana

Crusoé: Os fantasmas golpistas na eleição peruana
7

OpenAI mira abertura de capital em Wall Street

OpenAI mira abertura de capital em Wall Street
8

Após pressão, Fazenda promete abrir documentos sigilosos sobre bets

Após pressão, Fazenda promete abrir documentos sigilosos sobre bets
9

Presidente da Bolívia diz que protestos tentam “alterar a ordem democrática”

Presidente da Bolívia diz que protestos tentam “alterar a ordem democrática”
10

Nunes Marques endossa suspeita sobre pesquisa

Nunes Marques endossa suspeita sobre pesquisa
1

A inútil exploração eleitoral do Pix para convertidos

A inútil exploração eleitoral do Pix para convertidos
2

Governo interrompe vacina da dengue após casos graves e duas mortes

Governo interrompe vacina da dengue após casos graves e duas mortes
3

Entidades empresariais pedem alternativa à PEC da 6x1

Entidades empresariais pedem alternativa à PEC da 6x1
4

TCU analisa pedido de investigação sobre gastos públicos no "Gilmarpalooza"

TCU analisa pedido de investigação sobre gastos públicos no "Gilmarpalooza"
5

Datena vai tentar de novo?

Datena vai tentar de novo?
6

Crusoé: Quem é Roberto Sánchez, que lidera a contagem no Peru

Crusoé: Quem é Roberto Sánchez, que lidera a contagem no Peru
7

Crusoé: Trump ameaçou abandonar Israel?

Crusoé: Trump ameaçou abandonar Israel?
8

Janja rebate Silas Malafaia: "Insignificante é ele"

Janja rebate Silas Malafaia: "Insignificante é ele"
9

Crusoé: Mais um fiasco para Datena?

Crusoé: Mais um fiasco para Datena?
10

Os penduricalhos dos juízes do grupo criado para estudar penduricalhos

Os penduricalhos dos juízes do grupo criado para estudar penduricalhos
1

Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 09/06/2026

Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 09/06/2026
2

Petistas criticam ‘censura’ e Flávio não comenta suspensão de pesquisa

Petistas criticam ‘censura’ e Flávio não comenta suspensão de pesquisa
3

Presidente da Bolívia diz que protestos tentam “alterar a ordem democrática”

Presidente da Bolívia diz que protestos tentam “alterar a ordem democrática”
4

Após pressão, Fazenda promete abrir documentos sigilosos sobre bets

Após pressão, Fazenda promete abrir documentos sigilosos sobre bets
5

Entidades empresariais pedem alternativa à PEC da 6×1

Entidades empresariais pedem alternativa à PEC da 6×1
6

TSE analisa recurso do PL e suspende liminarmente levantamento eleitoral da AtlasIntel

TSE analisa recurso do PL e suspende liminarmente levantamento eleitoral da AtlasIntel
7

Na Parada LGBT, Érika Hilton pede votos para Lula e defende fim da escala 6×1

Na Parada LGBT, Érika Hilton pede votos para Lula e defende fim da escala 6×1
8

Endrick: conheça melhor o jovem craque que pode fazer a diferença na Copa do Mundo

Endrick: conheça melhor o jovem craque que pode fazer a diferença na Copa do Mundo
9

OpenAI mira abertura de capital em Wall Street

OpenAI mira abertura de capital em Wall Street
10

Santos juninos: 8 orações para fortalecer a fé durante o mês de junho

Santos juninos: 8 orações para fortalecer a fé durante o mês de junho

Nunca foi tão fácil estar bem informado Siga nosso canal no WhatsApp

Tags relacionadas

democracia extrema direita
< Notícia Anterior

CORINTHIANS X SÃO PAULO: confira os horários e onde assistir ao Brasileirão

16.06.2024 00:00 4 minutos de leitura
CORINTHIANS X SÃO PAULO: confira os horários e onde assistir ao Brasileirão
Próxima notícia >

Entenda caso Giovanna Antonelli em batalha judicial por IA

16.06.2024 00:00 4 minutos de leitura
Entenda caso Giovanna Antonelli em batalha judicial por IA
avatar

Catarina Rochamonte

Professora e escritora, com graduação, mestrado e doutorado em Filosofia, e pós-doutorado na área de Direito.

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)


Icone casa
Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a Política de cookies.

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.

Assine
o antagonista
o antagonista

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41 Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Anuncie Conosco

Últimas Notícias Brasil Mundo

Economia Lado oa! Colunistas Newsletter

Icone do Twitter Icone do Youtube Icone do Whatsapp Icone do Instagram Icone do Facebook

Quer receber notícias do Antagonista em seu e-mail?

Assine nossa newsletter e receba as principais notícias em seu e-mail

Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem Somos Hora extra Política de privacidade Termos de uso Política de Cookies Política de compliance Princípios Editoriais Perguntas Frequentes Anuncie
O Antagonista , 2026, Todos os direitos reservados, 25.163.879/0001-13.
Background do rodapé