Flávio entra para a seleção de Lula
Com uma pré-campanha errática e nada confiável, filho 01 de Bolsonaro reivindica a camisa 9 no ataque do time que alega enfrentar
Lula já ensinou ao amigo Nicolás Maduro, diante dos olhos do mundo todo, que a melhor solução para um político enrolado é dominar a narrativa. O destino do ditador venezuelano decaído deixou claro que há um limite para as fábulas políticas, contudo. A realidade se impõe uma hora.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) optou por questionar formalmente a primeira pesquisa que indicou o dano para sua pré-candidatura presidencial da mensagens trocadas com Daniel Vorcaro.
O movimento faz sentido como jogo de cena, até porque emula o comportamento de seu pai, que passou as duas eleições presidenciais de que participou duvidando de tudo que não lhe favorecia.
Realidade
O limite para essa estratégia, como já foi dito, é a realidade. O dano causado ao projeto eleitoral do filho 01 de Jair Bolsonaro nem foi tão grande assim, segundo a pesquisa questionada, mas isso não é exatamente uma boa notícia do ponto de vista daqueles que querem ver Lula perder neste ano.
A queda de apenas seis pontos percentuais na projeção de segundo turno com o petista soa como uma armadilha, já que o impacto não foi expressivo o bastante para tirá-lo da corrida, o que significa que ele permanecerá, mas debilitado pelo pedido de dinheiro ao homem mais tóxico da República.
O dano é reversível, na avaliação de Bruno Soller, sócio da Realtime Big Data, que, entre outros analistas ouvidos por Crusoé, não viu nada de errado na metodologia da AtlasIntel.
Ilusão
Mirar contra o mensageiro tem apenas o feito de mobilizar a militância, o que não é uma estratégia desprezível, faz parte do jogo. Mas desde que a campanha de Flávio não se iluda junto com os apoiadores que buscam motivos para seguir acreditando na viabilidade de seu candidato.
É óbvio que a troca de mensagens entre o senador e o banqueiro do Banco Master preso teria impacto em sua imagem e, consequentemente, em suas perspectivas eleitorais.
É de se esperar, também, que seu encontro com Vorcaro após a primeira prisão piore ainda mais a situação, exatamente porque Flávio conduziu essa história da pior forma possível até agora.
A partir disso, surgiu a perspectiva entre seus aliados de que o melhor seria perder a eleição deste ano, para que a família consiga retornar ao poder em 2031, talvez até com uma candidatura do patriarca, que voltaria ao Palácio do Planalto após mais um desastroso governo Lula.
Craque
Em vez de antecipar a revelação de que se encontrou com Vorcaro em prisão domiciliar, Flávio parece ter optado mais uma vez por torcer para que a informação não aparecesse, o que acabou indicando de novo para os próprios aliados — e para os eleitores — que ele não é confiável.
O deputado cassado Eduardo Bolsonaro foi apontado durante o tarifaço de Donald Trump como o “camisa 10” de Lula, por ter ajudado na estratégia do petista de recuperar popularidade com o cínico discurso de defesa da soberania nacional.
Flávio parece reivindicar a camisa 9, de atacante, do time de Lula, pois contribuiu nos últimos dias com a condução errática de sua pré-campanha para a melhora da aprovação do petista, como registra o Lulômetro. E quem vai pagar, como de costume, é o Brasil.
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